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Região Africana reduz 40% dos casos e 50% das mortes por sarampo - OMS

Lusa
28-11-2025 18:38h

A Região Africana registou uma diminuição de 40% no número de casos e de 50% no número de mortes por sarampo em 2024, face a 2019, segundo um relatório divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o documento, a Região Africana mantém a cobertura vacinal mais baixa de todas as regiões da OMS, sendo que, em 2024, 56% das 20,6 milhões de crianças do mundo que não receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1) pertenciam ao continente africano.

A cobertura da segunda dose da vacina (MCV2) registou melhorias significativas, com a África a realizar a maioria das campanhas de vacinação.

A região "experimentou um aumento constante entre 2000 (50%) e 2009 (72%) e, em seguida, estabilizou", revela o novo relatório da OMS, acrescentando que registou-se "uma diminuição na cobertura durante a pandemia da covid-19, para 67% em 2022, da qual agora se recuperou totalmente (atingindo 71% em 2024)".

Apesar da recuperação e da redução expressiva de casos e mortes, a OMS alerta que o sarampo está longe de ser eliminado nos países africanos.

A redução do financiamento para a imunização e a vigilância é apontada com uma das principais ameaças ao progresso global, contribuindo para "o aumento das lacunas de imunidade e alimentando surtos".

"Garantir um financiamento sustentável é agora um desafio crítico para avançar em direção a um mundo livre do sarampo", sublinha a organização no estudo. 

Em 2024, a Região Africana concentrou 36% das mortes globais por sarampo e cerca de metade de todos os casos estimados.

Desde 2000, África e a Região do Mediterrâneo Oriental "são responsáveis por 55% das mortes evitadas pela vacinação contra o sarampo", embora as estimativas deste relatório estejam ligeiramente abaixo das do relatório anterior, devido a uma revisão metodológica que ajustou a distribuição por idade dos casos. 

O estudo indica ainda que 59 países registaram surtos de sarampo de grande dimensão em 2024, o maior número desde o início da pandemia da covid-19. Destes, 23 ocorreram na Região Africana, o que reforça a vulnerabilidade do continente.

Em 17 de novembro, a OMS anunciou a eliminação do sarampo em Cabo Verde, Maurícias e Seicheles, os primeiros países subsaarianos a alcançar este marco.

A organização mantém o objetivo de conseguir eliminar a doença em, pelo menos, 80% dos países africanos, até 2030.

O sarampo é uma doença viral aguda e altamente infecciosa, que ainda causa mortalidade e morbilidade em países em desenvolvimento, mas que pode ser prevenida através de vacinação.

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