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Médio Oriente: Pelo menos 22 mortos em ataque israelita a clínica da UNRWA

LUSA
02-04-2025 15:41h

Pelo menos 22 pessoas foram mortas na sequência do ataque de hoje das forças israelitas a uma clínica da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA) em Jabalia, no norte de Gaza.

Entre as vítimas mortais encontram-se pelo menos 16 mulheres, crianças e idosos e múltiplos feridos graves, segundo os dados divulgados pelo gabinete de comunicação social do Governo de Gaza, controlado pelo grupo islamita Hamas, que já reagiu ao ataque, qualificando-o como um “massacre horrendo”.

“O ataque a uma clínica médica pertencente a uma organização da ONU constitui um crime de guerra de pleno direito que exige uma responsabilização internacional urgente. Registamos com extrema preocupação a contínua expansão da agressão da ocupação israelita e os assassínios em massa e o ataque sistemático a civis e infraestruturas”, acrescentaram.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) confirmaram o ataque e afirmaram que a clínica “era um complexo de comando e controlo” do Hamas, reforçando que o alvo eram “terroristas escondidos num complexo de comando e controlo” no local, antes de sustentar que a instalação “era uma infraestrutura terrorista e um local de encontro para a organização terrorista Hamas”.

O Hamas negou que o centro, que já não funcionava como clínica mas servia de abrigo aos palestinianos deslocados na zona, fosse um quartel-general do seu braço armado, as Brigadas al-Quds, como afirma o exército israelita.

“Testemunhas oculares que se encontravam no interior da clínica antes do massacre refutaram categoricamente estas mentiras, confirmando que todas as pessoas que se encontravam no interior eram civis, na sua maioria mulheres e crianças”, refere o comunicado.

O exército israelita afirmou que “foram tomadas numerosas medidas para mitigar o risco de ferir civis, incluindo a utilização de vigilância aérea e de informações de rotina”, uma frase que repete quando os seus bombardeamentos visam locais protegidos pelo Direito internacional humanitário, como escolas ou hospitais.

“O edifício foi também utilizado pelo Batalhão Jabalia para promover conspirações terroristas contra cidadãos do Estado de Israel e das Forças de Defesa de Israel”, adiantou Israel em comunicado.

Na sequência do início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, numerosas clínicas e escolas geridas pela UNRWA foram transformadas em abrigos improvisados para a população deslocada, tendo muitas pessoas sido mortas em ataques israelitas a essas instalações.

“O Hamas viola sistematicamente o Direito internacional e utiliza, de forma cínica e cruel, as instituições civis e a população como escudos humanos para os seus atos terroristas”, afirmou, acrescentando que “as IDF e o Shin Bet [serviço de informações israelita] continuarão a agir contra o Hamas para proteger o Estado de Israel”.

Israel acusa a UNRWA de colaborar com o Hamas e já matou cerca de 300 dos seus trabalhadores na Faixa de Gaza.

Segundo a organização da ONU, pelo menos 742 pessoas foram mortas em bombardeamentos das forças israelitas contra as suas instalações em Gaza desde o início da guerra, de acordo com os números compilados no final de março.

A agência noticiosa palestiniana WAFA informou também que o ataque à clínica provocou um incêndio no edifício, mas a UNRWA ainda não comentou até agora o sucedido.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano condenou “veementemente” o “massacre” na clínica e exprimiu a sua “extrema preocupação” com o anúncio feito no início do dia pelo ministro da Defesa israelita, Israel Katz, de uma expansão da ofensiva militar no enclave.

Desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a ofensiva israelita contra Gaza, mais de 50.000 pessoas foram mortas no enclave em ataques israelitas, das quais mais de 1.000 foram mortas desde 18 de março, quando Israel quebrou o cessar-fogo com uma nova vaga de bombardeamentos.

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