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Angola avança na neurorradiologia de intervenção com apoio do Brasil

Lusa
17-02-2026 18:31h

Angola começou a ensaiar um tratamento pouco invasivo de patologias vasculares cerebrais na rede pública de saúde angolana, com apoio do Brasil, poupando ao Estado custos médios superiores a 200 mil dólares por paciente, divulgou hoje o Governo.

De acordo com um comunicado do Ministério da Saúde de Angola, a iniciativa está a ter lugar em Luanda, capital angolana, no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedale” (CHGEPMTP), com o procedimento a ser liderado pelo neurorradiologista brasileiro e presidente honorário da Associação Brasileira de Neurorradiologia, Carlos Freitas, em colaboração com especialistas angolanos, estando programadas 12 intervenções, em pacientes entre os dez e 60 anos.

“Este marco histórico representa o início de um projeto nacional de neurorradiologia de intervenção, permitindo que tratamentos complexos, anteriormente realizados no exterior, passem a ser executados no país, com ganhos significativos em termos técnicos, clínicos, financeiros e pedagógicos”, refere o comunicado.

O comunicado sublinha que “até ao momento, o Estado angolano suportava custos médios superiores a 200 mil dólares norte-americanos (mais de 170 mil euros) por paciente, incluindo evacuação sanitária, transporte, internamento e subsídios, o que para 12 casos representava aproximadamente 2,4 milhões de dólares (pouco menos de dois milhões de euros)”.

No comunicado refere-se que a equipa realizou intervenções em aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e fístulas arteriovenosas, “recorrendo a técnicas avançadas de abordagem endovascular minimamente invasiva, que reduzem riscos cirúrgicos, o tempo de internamento e proporcionam uma recuperação mais rápida aos pacientes”.

A iniciativa enquadra-se no Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial e coordenado pela Unidade de Implementação do projeto (PFRHS-UIP).

Para a ministra da Saúde angolana, Sílvia Lutucuta, citada no comunicado, este projeto representa um passo decisivo para a independência técnica do sistema de saúde angolano, garantindo que milhares de pacientes tenham acesso local a tratamentos que salvam vidas e reduzindo significativamente os encargos do Estado com evacuações e internamentos no exterior.

O programa de capacitação contempla um internato estruturado em neurorradiologia de intervenção, formação prática com corpo docente brasileiro, apoio contínuo por telemedicina, atualização diagnóstica e organização logística para a execução de procedimentos angiográficos complexos.

“O objetivo é consolidar o CHGEPMTP como centro de referência nacional e regional, contribuindo para a redução de mortes e incapacidades evitáveis associadas às doenças cerebrovasculares e reforçando a qualificação dos quadros nacionais”, destaca-se no comunicado.

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