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Autarcas de Almada e Seixal solidários com utentes do Garcia de Orta pedem "resoluções"

LUSA
19-11-2019 10:19h

Os autarcas de Almada e Seixal mostraram-se hoje solidários com as populações que protestaram junto ao Hospital Garcia de Orta, no distrito de Setúbal, reafirmando que são precisas “resoluções” para evitar o encerramento da urgência pediátrica.

“É a minha obrigação enquanto autarca representar as nossas populações, dar voz e ser um rosto a transmitir a ansiedade que esta situação está a criar junto das nossas populações”, afirmou a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS).

A autarca falava à Lusa em frente ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde cerca de 200 utentes realizavam uma vigília contra o encerramento noturno da urgência pediátrica, tendo frisado que “é urgente encontrar uma resolução”.

“Nós partilhamos com as pessoas uma certa angústia por saber que temos este hospital que é tão importante para esta zona e temos de nos deslocar. Não é por ser em Lisboa, é por saber que as urgências do Barreiro e Setúbal não têm as mesmas valências”, declarou a autarca, que também integrou a vigília.

Segundo Inês de Medeiros, a maior preocupação dos habitantes de Almada é que “aconteça alguma coisa” na Ponte 25 de Abril, mas tranquilizou-os ao lembrar que, em caso de urgência, “todas as forças de segurança, proteção civil e bombeiros têm prioridade absoluta de passagem”.

Além disso, a presidente da câmara indicou que o serviço de neonatologia e obstetrícia “continua a funcionar normalmente”, assim como a urgência geral.

Já o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos (CDU), mostrou-se “muito preocupado com a ausência de resposta” para esta urgência pediátrica que é tão “importante” para os concelhos que abrange.

“O que eu espero sinceramente é que não aconteça nenhum caso grave pelo facto de a urgência [pediátrica] do Garcia de Orta estar fechada”, referiu o autarca, que marcou presença na vigília, que se iniciou perto das 20:00, esperançado de que os governantes resolvam a situação mais rápido do que o prazo previsto, de seis meses.

“Estamos aqui obviamente a pressionar, num bom sentido, usando o direito à manifestação e indignação para que os eleitos, os governantes, tomem as decisões necessárias para resolver os problemas. Acredito que o Governo terá de tomar medidas mais cedo do que aquelas que está a prever”, considerou.

Inês de Medeiros também garantiu que continuará a intervir junto do Governo, liderado pelo socialista António Costa, para que uma solução seja encontrada, tendo ficado combinado “reuniões regulares” com o Ministério da Saúde para que estejam “a par da evolução”, sendo que a próxima acontece no início de dezembro.

Na quinta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, confirmou que a urgência pediátrica iria passar a encerrar todas as noites desde hoje, entre as 20:00 e as 08:00, apontando como alternativa dois centros de saúde que alargaram o seu horário.

Esta situação deve-se à falta de pediatras, que já afeta o hospital há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais, e, segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, nem o lançamento de concursos foi suficiente para colmatar a carência porque "ninguém concorreu".

Devido à falta de especialistas, a urgência pediátrica daquela unidade hospitalar de Almada começou por fechar todos os fins de semana em outubro, entre o final de sexta-feira e a manhã de segunda-feira. A partir de hoje, este serviço passa a estar encerrado diariamente no período noturno.

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