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Vigilância da grávida por enfermeiros será quando não tiver médico de família – Ministra

Lusa
02-11-2026 17:35h

A ministra da Saúde explicou hoje que o projeto-piloto de vigilância das grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas visa garantir o seu acompanhamento quando não têm médico de família atribuído.

“As senhoras que não têm médico de família atribuído e que estão, por isso, dependentes de poder ter uma consulta com o médico que estiver disponível, muitas vezes não têm essa disponibilidade e, por isso, há a possibilidade de haver um acompanhamento pelo enfermeiro ou enfermeira de saúde materna e obstétrica”, explicou Ana Paula Martins aos jornalistas.

A governante respondia assim às críticas da Ordem dos Médicos e da Associação de Medicina Geral e Familiar ao despacho que aprova o modelo de vigilância da gravidez de baixo risco nos cuidados de saúde primários por enfermeiro especialista em enfermagem de saúde materna e obstétrica.

As duas organizações de médicos exigiram a revisão do modelo de vigilância da gravidez de baixo risco decidido pelo governo, que consideram constituir um “retrocesso inaceitável” ao não garantir "a participação regular e direta dos médicos de família na vigilância da gravidez de baixo risco”.

“Quando não temos equipa de saúde familiar ou o chamado médico de família, obviamente que as pessoas estão mais sujeitas à consulta do dia, que por vezes não é no dia e é marcada com algum tempo, às vezes superior àquilo que devia ser, ou têm de ir para a urgência do hospital”, admitiu a ministra.

À margem da inauguração da nova ambulância de Suporte Imediato de Vida de Mafra, que vai operar a partir do Centro de Saúde Mafra Norte, a ministra recordou que estas gravidezes “precisam de ser vigiadas”.

“Não podemos continuar a ter estas mulheres e estes bebés a desenvolver-se sem esta vigilância, porque é exatamente de uma boa vigilância da gravidez que a vida de uma criança e o desfecho de uma mãe se determina”, sublinhou.

A ministra esclareceu que o projeto-piloto, já existente em vários países europeus, “aproveita aquilo que são competências que os enfermeiros especialistas em saúde materno-obstétrica têm e que já hoje exercem, nomeadamente nos serviços de obstetrícia e também em cuidados de saúde primários”.

Ana Paula Martins assegurou que o projeto-piloto segue as normas da Direção-Geral de Saúde e que “em qualquer momento” em que a grávida apresente sinais que requerem o apoio do médico, “imediatamente é dirigida para a equipa médica”.

Os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica vão poder acompanhar gravidezes de baixo risco nos cuidados de saúde primários, no âmbito de um projeto-piloto regulamentado por despacho publicado na semana passada no Diário da República.

A medida foi classificada pela Ordem dos Enfermeiros como um “marco histórico para a classe”.

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