No Hospital Central de Nampula, o maior do norte de Moçambique, todos os dias uma pessoa é operada para correção de hérnia inguinal, mas a lista de espera continua acima de 200 pacientes, que aguardam meses por tratamento.
A dor começa como um incómodo passageiro. Com o tempo transforma-se numa saliência visível no abdómen, limitando o trabalho, os movimentos e, em alguns casos, a própria subsistência. Para centenas de pessoas na província de Nampula, o diagnóstico é semelhante: hérnia inguinal, uma condição frequente que continua a enfrentar longas listas de espera para tratamento cirúrgico.
"Em média, ao nível desta unidade sanitária, operamos diariamente um caso", explicou o porta-voz do Hospital Central de Nampula (HCN), António Carlos, reconhecendo que a capacidade de resposta continua condicionada pela elevada procura dos serviços cirúrgicos.
Segundo o responsável, a lista de espera ultrapassa os 200 pacientes, muitos dos quais chegam à unidade após percorrerem um longo percurso pelos serviços de saúde, frequentemente a partir de localidades rurais e distantes.
A hérnia inguinal ocorre quando tecidos, muitas vezes parte do intestino, atravessam uma zona enfraquecida da parede abdominal, formando uma protuberância que pode provocar dor e outras complicações.
O problema torna-se mais grave quando o órgão fica preso e deixa de regressar à posição normal.
"Quando estes intestinos têm essa tendência de sair, eles encarceram, isto é, prendem e não voltam mais. Ao não voltarem mais, isto vira uma situação de emergência", alertou.
De acordo com António Carlos, os esforços físicos intensos associados a diversas atividades profissionais podem contribuir para o aparecimento da doença.
Muitos doentes iniciam o processo de diagnóstico em postos ou centros de saúde sem capacidade cirúrgica, sendo posteriormente encaminhados para unidades de maior dimensão, o que acaba por atrasar o tratamento.
Em vários casos, os pacientes chegam ao hospital apenas quando a situação já se agravou, aumentando o risco de complicações e a necessidade de intervenções de urgência.
Para reduzir a lista de espera, o HCN tem recorrido a campanhas específicas de cirurgia.
"O HCN, em coordenação com o Governo e o Ministério da Saúde, tem recorrido a campanhas de cirurgias massivas de hérnias", referiu o porta-voz, acrescentando que estão previstas novas ações destinadas a corrigir a doença antes do surgimento de complicações.
"O diagnóstico e tratamento atempados permitem evitar situações de emergência e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes", concluiu.