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Mais de 200 doentes com hérnia inguinal em espera no maior hospital do norte de Moçambique

LUSA
29-10-2026 06:53h

No Hospital Central de Nampula, o maior do norte de Moçambique, todos os dias uma pessoa é operada para correção de hérnia inguinal, mas a lista de espera continua acima de 200 pacientes, que aguardam meses por tratamento.

A dor começa como um incómodo passageiro. Com o tempo transforma-se numa saliência visível no abdómen, limitando o trabalho, os movimentos e, em alguns casos, a própria subsistência. Para centenas de pessoas na província de Nampula, o diagnóstico é semelhante: hérnia inguinal, uma condição frequente que continua a enfrentar longas listas de espera para tratamento cirúrgico.

"Em média, ao nível desta unidade sanitária, operamos diariamente um caso", explicou o porta-voz do Hospital Central de Nampula (HCN), António Carlos, reconhecendo que a capacidade de resposta continua condicionada pela elevada procura dos serviços cirúrgicos.

Segundo o responsável, a lista de espera ultrapassa os 200 pacientes, muitos dos quais chegam à unidade após percorrerem um longo percurso pelos serviços de saúde, frequentemente a partir de localidades rurais e distantes.

A hérnia inguinal ocorre quando tecidos, muitas vezes parte do intestino, atravessam uma zona enfraquecida da parede abdominal, formando uma protuberância que pode provocar dor e outras complicações.

O problema torna-se mais grave quando o órgão fica preso e deixa de regressar à posição normal.

"Quando estes intestinos têm essa tendência de sair, eles encarceram, isto é, prendem e não voltam mais. Ao não voltarem mais, isto vira uma situação de emergência", alertou.

De acordo com António Carlos, os esforços físicos intensos associados a diversas atividades profissionais podem contribuir para o aparecimento da doença.

Muitos doentes iniciam o processo de diagnóstico em postos ou centros de saúde sem capacidade cirúrgica, sendo posteriormente encaminhados para unidades de maior dimensão, o que acaba por atrasar o tratamento.

Em vários casos, os pacientes chegam ao hospital apenas quando a situação já se agravou, aumentando o risco de complicações e a necessidade de intervenções de urgência.

Para reduzir a lista de espera, o HCN tem recorrido a campanhas específicas de cirurgia.

"O HCN, em coordenação com o Governo e o Ministério da Saúde, tem recorrido a campanhas de cirurgias massivas de hérnias", referiu o porta-voz, acrescentando que estão previstas novas ações destinadas a corrigir a doença antes do surgimento de complicações.

"O diagnóstico e tratamento atempados permitem evitar situações de emergência e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes", concluiu.

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