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Ébola: UA e OMS pedem coordenação urgente para combate epidemia

LUSA
28-10-2026 21:03h

A agência de saúde pública da União Africana (UA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apelaram hoje a uma ação coordenada urgente, perante a epidemia de Ébola, que já ultrapassou os 10 mil casos confirmados na RDCongo.

Durante uma reunião ministerial virtual de alto nível com as autoridades de saúde de toda a África, a Diretora-Geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, alertou que a epidemia não está controlada e apelou ao fim da falta de transparência na ajuda internacional.

“Não haverá mais um ‘negócio do Ébola’ em África. Os ministros devem estar no controlo, saber qual é a contribuição de cada parceiro para o país e exigir prestação de contas. Se não forem capazes de ser transparentes com os nossos governos, não devem regressar”, afirmou Kaseya, que confirmou que a agência garantiu 820 milhões de dólares para a resposta continental.

O Diretor-Geral Adjunto da OMS, Chikwe Ihekweazu, enfatizou a gravidade da situação no terreno no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), marcada pela insegurança e por ataques contra profissionais de saúde.

“O nosso maior desafio operacional é um contexto humanitário difícil que coloca em risco a vida dos profissionais de saúde. Devemos evitar a tentação de atribuir culpas e concentrar os nossos esforços na procura de soluções”, afirmou Ihekweazu.

De acordo com os dados mais recentes da RDCongo, o país acumulou 10.141 casos confirmados e 4.928 mortes.

Os ministros da Saúde das nações na linha da frente da epidemia detalharam as estratégias de contenção e os desafios nas zonas fronteiriças.

O ministro da Saúde do Quénia, Aden Duale, confirmou que o seu país conseguiu conter a transmissão comunitária após a deteção do caso importado da RDCongo via Uganda, que resultou numa morte e nove casos confirmados.

“Cada caso secundário ocorreu sob um princípio muito controlado. Não encontrámos nenhuma cadeia de transmissão fora dos contactos monitorizados, e o Quénia manterá as viagens e o comércio abertos, porque as fronteiras fechadas levam os viajantes a recorrer a passagens informais”, afirmou o ministro queniano.

Do Uganda, país que declarou o fim do surto interno a 26 de agosto, o ministro da Saúde, Chris Baryomunsi, apelou à integração política continental. “A experiência no Uganda demonstra que a transmissão pode ser interrompida quando agimos precocemente. Quando uma emergência sanitária ameaça vários países, a nossa resposta deve ser regional, e propomos a realização de uma Cimeira Extraordinária Especial da União Africana sobre o Ébola”, disse.

A reunião contou ainda com a participação de ministros e altos funcionários da saúde de países como a Nigéria, Serra Leoa, Somália, Ruanda, Líbia, Lesoto e África do Sul, que concordaram com a urgência de reforçar a vigilância nos pontos de entrada, proteger os profissionais da linha da frente e manter os serviços de cuidados de saúde primários em funcionamento.

A comunidade internacional e as agências multilaterais reafirmaram o seu compromisso de mobilizar recursos e capacidades técnicas para apoiar o plano continental do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC).

Taylor Sexton, do Departamento de Estado dos EUA, explicou que Washington está a alocar mais de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,08 milhões de euros) para combater a epidemia, combinando assistência direta em 13 países, o envio de especialistas do CDC e fundos humanitários canalizados pela ONU. Além disso, o CDC dos EUA mantém quase 500 profissionais destacados nas áreas afetadas e na sua sede em Kinshasa.

Do lado da Comissão Europeia, representada pelo Diretor-Geral Adjunto da Direção-Geral das Parcerias Internacionais, Martin Seychell, garantiu o apoio da União Europeia (UE) sob o princípio de uma resposta única e coordenada.

Seychell anunciou que a UE mobilizou 210 milhões de euros em ajuda humanitária e segurança sanitária — no âmbito de um pacote global de 493 milhões de euros — além do envio de laboratórios móveis belgas e do financiamento de ensaios clínicos para vacinas contra a estirpe Bundibugyo.

A este esforço juntaram-se o Reino Unido, com mais de 100 milhões de dólares (aproximadamente 89,66 milhões de euros) em apoio operacional e desenvolvimento científico, o Banco Mundial, com um pacote de 430 milhões de dólares (cerca de 441,94 milhões de euros) em donativos e financiamento concessional, e a Fundação para a Proteção dos Direitos Humanos.

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