Pelo menos 15.394 migrantes regressaram da África do Sul atravessando Moçambique entre abril e julho devido a protestos e receios relacionados com manifestações anti-imigração naquele país, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Segundo o Inquérito de Monitorização dos Fluxos Migratórios (janeiro-julho de 2026), divulgado pela OIM, foi realizada uma análise específica sobre migrantes que regressaram da África do Sul entre abril e julho deste ano, num contexto de “protestos reportados e preocupações relacionadas com proteção”, incluindo pessoas em trânsito por Moçambique com destino ao Maláui.
Nesse período foram observados 15.394 migrantes a regressar da África do Sul devido à violência, protestos e manifestações anti-imigração naquele país, influenciando os padrões de mobilidade na região.
A maioria dos migrantes observados era constituída por cidadãos do Maláui em trânsito por Moçambique no regresso ao seu país, refere o relatório.
Os dados indicam que os malauianos representaram 76% dos migrantes registados nestes movimentos de retorno, ascendendo a 11.699, enquanto os moçambicanos corresponderam aos restantes 24%, totalizando 3.695.
A maioria dos retornados era composta por homens adultos, que representaram 73% do total, contra 22% de mulheres adultas, enquanto crianças com menos de 18 anos corresponderam a 5% dos movimentos observados.
A África do Sul, a maior economia do continente, há muito que atrai migrantes, mas enfrenta uma taxa de desemprego superior a 30% e profundas desigualdades. Há mais de 20 anos que o país é assolado por uma constante violência xenófoba.
O país registou este ano vários episódios de violência urbana contra migrantes, o último dos quais em outubro, sobretudo em Durban e Joanesburgo.
Entre os moçambicanos regressados da África do Sul no período monitorizado pela OIM, a província de Gaza concentrou 42% dos destinos finais identificados, seguida por Inhambane, com 18%, e pela província de Maputo, com 14%.
O relatório acrescenta que 74% dos migrantes afirmaram ter recebido assistência de transporte até aos respetivos destinos, enquanto 20% disseram necessitar de apoio adicional para prosseguir viagem e 6% indicaram ter financiado integralmente o regresso.
A OIM refere ainda que abril registou uma diminuição dos fluxos migratórios coincidente com relatos recolhidos pelas equipas no terreno sobre restrições à mobilidade na África do Sul, tendo os movimentos voltado a aumentar nos meses seguintes antes de nova redução no final de junho.
A monitorização foi realizada nos postos fronteiriços de Ressano Garcia, na fronteira entre Moçambique e a África do Sul, e de Zóbuè, na fronteira com o Maláui. Entre janeiro e junho de 2026, a OIM registou 86.814 movimentos transfronteiriços nos dois pontos, repartidos em partes iguais entre entradas e saídas do país.