As admissões por desnutrição subiram quase um quinto, entre 2025 e 2026, em seis centros de saúde e quatro hospitais apoiados pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no nordeste da Nigéria, anunciou hoje a organização.
"Passaram de cerca de 17.000 casos entre janeiro e setembro de 2025 para quase 20.000 casos durante o mesmo período deste ano", precisou o CICV.
Segundo a mesma fonte, crianças, mulheres grávidas e mães em período de amamentação são as mais afetadas.
"O aumento é mais acentuado em Mubi, no estado de Adamawa, onde as admissões subiram quase um quarto, de cerca de 4.600 casos nos primeiros nove meses de 2025 para cerca de 5.700 no mesmo período de 2026", referiu a organização, em nota de imprensa.
Nesta região do país mais populoso de África, os conflitos armados, os choques climáticos e as pressões económicas perturbaram os meios de subsistência e tornaram mais difícil a possibilidade de acesso à alimentação.
Para agricultores como Saminu Samiyu Ijaduwa, citado no comunicado, engenhos explosivos tornaram os campos mais afastados de casa perigosos de cultivar. Por essa razão, não tem outra escolha senão cultivar uma pequena parcela perto da sua casa.
"Devido ao conflito, ir um quilómetro para fora da cidade para cultivar pode ser extremamente arriscado. Podemos não regressar!", descreveu Saminu.
Para combater a desnutrição na Nigéria, o CICV, em conjunto com a Cruz Vermelha Nigeriana, apoia 15 centros de cuidados de saúde primários e quatro hospitais e ajuda mais de 200 comunidades a tratar a desnutrição. Além disso, desenvolve programas para reforçar a segurança alimentar.
"Isso inclui fornecer aos agricultores sementes adaptadas à seca e a inundações, promover a diversidade de culturas e apoiar as mães na preparação de alimentos nutritivos em casa", indicou.
Em 2026, prevê-se que mais de 34 milhões de pessoas não tenham comida suficiente para alimentar as suas famílias, o número mais elevado em seis anos, segundo uma análise das Nações Unidas, apontou.
A Nigéria surge entre os pontos críticos de fome de maior preocupação a nível mundial, a par do Sudão, Iémen, Somália e Gaza, acrescentou.