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Arouca terá Floresta Ativista a evocar Greta, Capicua e Lourdes Pintasilgo

LUSA
29-09-2026 15:36h

A floresta de Arouca vai ter uma secção dedicada a 25 mulheres que se destacaram pelo ativismo cívico e ambiental, entre as quais a ecologista Greta Thunberg, a cantora Capicua e a ex-Primeira-Ministra Maria de Lourdes Pintassilgo (1930-2004)

egundo revelaram hoje o Instituto Marquês de Valle Flor (IMVF) e a associação 4540 Jovem, responsáveis pela implementação do projeto, o novo roteiro verde localiza-se no Parque Florestal da Palma, no referido concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, e resulta de uma candidatura financiada pela União Europeia e pelo Instituto Camões.

O objetivo da denominada “Floresta Ativista” é assim associar um conjunto de 25 árvores a igual número de mulheres que se destacaram “na defesa da igualdade, dos direitos humanos, da paz, da educação e do ambiente” – com base no princípio de que, tal como as raízes sustentam e alimentam as árvores, também a igualdade de género, os direitos e a participação cívica são raízes fundamentais de um desenvolvimento sustentável “que não deixe ninguém para trás”.

Ana Isabel Castanheira e Mónica Santos Silva, gestoras do projeto no IMVF, explicam: “Ao associarmos algumas das árvores do Parque Florestal da Palma ao percurso de ativistas com impacto mundial, reconhecemos a importância das mulheres que, em diferentes partes do mundo, têm defendido a educação, a paz, a liberdade, a igualdade e o ambiente, para garantirem, em todas as geografias, justiça social e justiça ambiental”.

Tendo surgido no âmbito de uma candidatura ao programa “Jovens 2030 – Mobilizar para Agir”, o percurso da Floresta Ativista foi definido com o envolvimento dos jovens da freguesia de Moldes, onde se situa o Parque Florestal da Palma, e prevê a plantação de 300 novas árvores ate final de 2027, assim como a monitorização do seu crescimento.

Além da referência à sueca Greta Thunberg, o roteiro disponibilizará no local informação física e digital sobre as restantes mulheres que o inspiraram, entre as quais a ativista indígena brasileira Alice Pataxó, a engenheira agrónoma austríaca-brasileira Anna Primavesi (1920-2020), a indígena canadiana defensora da água Autumn Peltier, o coletivo feminista norte-americano “Guerrilla Girls”, a ativista paquistanesa pela participação das raparigas Gulalai Ismail e a pedagoga queniana em prol na natureza Elizabeth Wathuti.

Além dessas, a Floresta Ativista evocará ainda: as “Irmãs Mirabal”, três dominicanas assassinadas em 1960 e símbolo da luta contra a violência sobre as mulheres; Juliet Grace Luwedde, ativista do Uganda contra a desertificação dos solos; Julieta Espírito Santo (1921-2008), primeira médica de São Tomé e Príncipe; Malala Yousafzai, defensora paquistanesa da educação feminina; Mari Copeny, norte-americana ativista da água e que luta contra o racismo ambiental; Nadia Murad, iraquiana que recebeu o Prémio Nobel da Paz pelo seu trabalho com mulheres vítimas de guerra; e Patricia Kombo, defensora queniana da reflorestação do solo.

Outras mulheres evocadas no roteiro são: Rigoberta Menchú, guatemalteca que recebeu o Nobel da Paz como símbolo da resistência indígena; Rosa Parks (1913-2005), ativista norte-americana pelos direitos cívicos dos negros; Sylvia Earle, exploradora marinha americana; Vanessa Nakate, ugandesa que reclama maior intervenção dos países africanos nas decisões internacionais sobre o clima; Wangari Maathai (1940-2011), primeira africana a ganhar o Nobel da Paz; e Leymah Gbowee, que ajudou a acabar com a guerra civil na Libéria ao liderar um movimento de mulheres pela paz.

No mesmo roteiro, Portugal far-se-á representar não apenas pela rapper Capicua e pela ex-governante Maria de Lourdes Pintasilgo, mas também pela poetisa Alice Neto de Sousa, a escritora feminista Ana Castro Osório (1872-1935) e a jornalista Natália Correia (1923-1993).

Face ao exemplo dessas cidadãs, André Azevedo Vilar, presidente da Associação 4540 Jovem, conclui: “Queremos que esta iniciativa permita conhecer histórias de mulheres que tiveram um papel importante na defesa da educação, da paz, da liberdade, da igualdade e do ambiente, mas também mostrar que o ativismo pode começar com gestos simples. Todos podemos fazer a diferença nos nossos territórios.”

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