A ministra da Saúde disse hoje que a reorganização das urgências do SNS a nível nacional durará um ano, mas os primeiros resultados serão conhecidos no final do mês de novembro.
“É necessário fazer uma otimização da rede. Os primeiros resultados desta reorganização acontecerão no final do mês de novembro. Estará em audição pública esta primeira parte do trabalho deste grupo de especialistas, por uma questão de transparência, e depois avançaremos para essa regionalização das urgências”, disse aos jornalistas Ana Paula Martins, no final da cerimónia de inauguração do Hospital Lusíadas Beloura, no concelho de Sintra.
Para a ministra, é necessário concentrar os recursos para reduzir os tempos de espera, dando como exemplo a reorganização nos serviços de obstetrícia este ano em algumas Unidades Locais de Saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
No início deste ano entraram em funcionamento as duas primeiras urgências regionais do país - em Loures e na Península de Setúbal -, uma das formas encontradas para minimizar os constrangimentos no funcionamento dos serviços de obstetrícia e ginecologia, devido à falta de médicos suficientes para preencher as escalas.
Num despacho publicado em junho, a ministra Ana Paula Martins determinou a revisão da atual rede de mais de 160 serviços urgência, prevendo a criação de urgências centralizadas sempre que isso se justifique, através da concentração e coordenação da resposta local e regional de determinadas especialidades médicas e cirúrgicas.
A propósito do tempo de espera nas urgências, que hoje atingiu as 10 horas em alguns hospitais, a ministra defendeu que é preciso mais tecnologia “na rede de urgência que hoje está disponível”, indicando que pode dar “uma resposta mais rápida aos utentes” até à primeira observação e durante o tempo que permanecem na urgência.
Segundo o portal do SNS, pelas 10:00, na urgência geral do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), no distrito de Lisboa, os 41 doentes classificados como urgentes (com pulseira amarela atribuída na triagem) tinham um tempo de espera nove horas e 49 minutos para a primeira observação por um médico.
No total, o hospital tinha a essa hora 71 doentes à espera da primeira observação após a triagem.
Esta era a unidade hospitalar com maior tempo de espera nas urgências pelas 10:00, uma situação que se tem repetido por diversos motivos, entre eles a falta de recursos humanos e o facto de ser uma unidade com uma grande pressão assistencial. Nos concelhos servidos por este hospital há cerca de 240 mil utentes sem médico de família.
A ministra da Saúde destacou que o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca foi construído para dar resposta a 260 mil habitantes e que atualmente tem que dar resposta a 620 mil.
“E vai continuar assim porque a população ali está a crescer”, disse Ana Paula Martins, defendendo a importância da reorganização das urgências.