SAÚDE QUE SE VÊ

Unidade móvel de saúde começa a percorrer quatro localidades de Abrantes

Lusa
21-09-2026 19:25h

Uma unidade móvel de saúde começou a percorrer quatro localidades do concelho de Abrantes, levando cuidados de enfermagem, vacinação, rastreios e acompanhamento de doentes crónicos a populações com maiores dificuldades de acesso aos serviços.

A primeira fase abrange Fontes, Martinchel, Vale das Mós e São Facundo, localidades escolhidas pela Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo em articulação com o município, indicou o presidente da Câmara de Abrantes.

A iniciativa, que entrou em funcionamento em setembro no concelho de Abrantes, distrito de Santarém, integra um projeto destinado a aproximar os cuidados de saúde das populações de zonas mais afastadas dos serviços.

“Entendemos que a saúde deve estar perto das pessoas e sobretudo daquelas que têm mais dificuldade de mobilidade”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), em reunião do executivo municipal.

Às segundas-feiras, a unidade está em Fontes entre as 09:30 e as 12:00 e em Martinchel das 14:00 às 16:00, enquanto às sextas-feiras passa por Vale das Mós, entre as 09:30 e as 12:00, e São Facundo, das 14:00 às 16:00.

A unidade permite acompanhar utentes, nomeadamente pessoas com diabetes e hipertensão arterial, realizar consultas e tratamentos de enfermagem, administrar vacinas e injetáveis, efetuar rastreios e avaliar parâmetros clínicos, como tensão arterial, glicemia e peso.

O serviço prevê ainda ações de educação para a saúde, acompanhamento de idosos ou pessoas com mobilidade condicionada, identificação de necessidades e encaminhamento para outros profissionais ou respostas de saúde.

Valamatos salientou que as quatro localidades correspondem apenas à fase inicial do projeto em Abrantes e admitiu o alargamento do serviço a outros pontos do concelho.

“Este não é um processo estanque, é um processo que se pretende vir a melhorar e reforçar [com] mais localidades e, obviamente, mais dias”, afirmou.

A seleção das localidades foi questionada pelo vereador do Chega Nuno Serra, que defendeu que outras zonas do concelho com população envelhecida e dificuldades de mobilidade poderão igualmente necessitar deste serviço.

Valamatos indicou que a definição inicial pertence à ULS Médio Tejo e apontou zonas como Alvega, Casa Branca ou Mouriscas entre aquelas onde esta resposta poderá também vir a justificar-se, dependendo da procura e da avaliação do projeto.

A ULS Médio Tejo anunciou em janeiro que duas unidades móveis de saúde, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), iriam começar em fevereiro a percorrer sete concelhos: Abrantes, Alcanena, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila de Rei.

Na programação então divulgada, uma das unidades destinava-se a Vila de Rei, Sardoal e Mação e a segunda a Alcanena, Tomar e Torres Novas, apesar de Abrantes integrar a lista dos concelhos abrangidos.

As equipas foram inicialmente previstas com um enfermeiro e um assistente operacional e possibilidade de recurso a teleconsulta, numa resposta destinada sobretudo a populações de territórios de baixa densidade, afastadas das unidades de saúde ou com dificuldades de mobilidade.

Na apresentação do projeto, o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, afirmou que as unidades móveis “não substituem o médico de família, mas reforçam a proximidade dos cuidados”.

A Lusa questionou a ULS Médio Tejo sobre a implementação do projeto nos sete concelhos, o balanço da atividade, os critérios de seleção das localidades e eventuais planos de alargamento, não tendo recebido resposta até ao momento.

A ULS Médio Tejo gere três hospitais - Abrantes, Tomar e Torres Novas - e 35 unidades de cuidados de saúde primários, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, e ainda Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco.

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