A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) manifestou-se hoje preocupada com o novo modelo de escolha de vagas para o internato médico, avisando que pode levar mais médicos a desistirem das vagas em que são colocados.
Em comunicado, a ANEM explica que o novo sistema, em vez de presencial, passou a ser 'online' e com os candidatos organizados por grupos a terem de indicar previamente as suas preferências.
Dependendo do número de candidatos em cada grupo, poderá ser necessário ordenar dezenas ou mesmo centenas de vagas, explica a ANEM, para quem esta alteração pode levar à inclusão de vagas "sem uma preferência efetiva", apenas para garantir uma colocação, "aumentando o risco de rescisões posteriores".
A ANEM reconhece as vantagens da digitalização do processo, nomeadamente a possibilidade de os candidatos realizarem a escolha a partir de qualquer localização e disporem de mais tempo para organizar as suas preferências, mas avisa que as alterações podem ter "consequências relevantes" para os candidatos e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"A digitalização é positiva, mas uma alteração desta dimensão não pode criar o risco de termos vagas de formação especializada que poderiam ser preenchidas e que acabam por ficar inutilizadas", afirma Maria Fontão, presidente da ANEM, citada no comunicado.
A associação considera ainda preocupante a ausência de um teste-piloto deste novo modelo, a pouca antecedência de comunicação (já quando decorria o concurso) e a indefinição quanto à dimensão dos grupos e ao período disponível para a seriação das vagas.
Este novo modelo de escolha de vagas para a formação especializada do internato médico já levou a uma petição pública, que às 13:30 já tinha sido assinada por mais de 3.688 pessoas, a pedir transparência, equidade e justiça no processo.
Os subscritores consideram que as alterações foram comunicadas tardiamente e lembram que o concurso para o internato médico foi aberto por um aviso publicado a 29 de agosto e que o novo modelo foi comunicado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) em setembro, já durante o concurso.
Também o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) anunciou que pediu esclarecimentos urgentes à ACSS sobre o novo modelo de escolha de vagas para o internato médico.