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PR de Moçambique pede prevenção contra El Niño que aproxima de forma "assustadora"

Lusa
14-09-2026 10:59h

O Presidente moçambicano pediu hoje ações antecipadas para travar impactos do El Niño que se avizinha de forma “acelerada e assustadora”, apelando a novas formas de financiar a segurança alimentar num dos países mais afetados por desastres.

Ao discursar na abertura da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, sob o lema “Segurança Alimentar e Nutricional: Responsabilidade Coletiva para o Desenvolvimento de Moçambique”, Daniel Chapo lembrou que o país é ciclicamente afetado por desastres naturais, pedindo atenção no reforço da segurança alimentar.

“Não (...) podemos responder à crise quando ela já chegou. Precisamos de antecipar. Por isso (…) estamos a insistir em falar do El Niño exatamente para podermos antecipar, prevenir e construir resiliência, investindo na gestão de água, irrigação, tecnologia adaptada, sistemas de alerta precoce e armazenamento, com El Niño avizinhar-se, como fizemos referência, de uma forma acelerada e assustadora”, disse o Presidente de Moçambique.

Chapo pediu que a conferência em curso debata sobre a educação cívica sobre como gerir melhor e mitigar os desafios que este fenómeno vai impor ao país, elevando custos sociais e económicos e provocando secas prolongadas num dos dez países a nível mundial que ciclicamente é afetado por estes eventos.

“Tudo isto exige recursos e uma nova forma de encarar o financiamento da segurança alimentar e nutricional. Este financiamento já não constitui uma despesa social, mas sim um investimento ao desenvolvimento nacional e investir na nutrição é fortalecer o capital humano”, apelou Chapo.

Nas mesmas declarações, apontou para a necessidade de maior participação do setor privado e das organizações da sociedade civil no combate a estes fenómenos naturais, indicando ainda que só com esforços coletivos o país é capaz de construir uma aliança nacional para a segurança alimentar e nutricional.

Na sexta-feira, Moçambique estimou registar seis milhões de casos de doenças sensíveis a mudanças climáticas, com destaque para a malária, meningite e diarreia, devido aos impactos do fenómeno meteorológico El Niño, previsto para o período 2026-2027.

O alerta surge no mesmo período em que uma análise técnica de organizações moçambicanas e internacionais estimou um agravamento de 55% da insegurança alimentar aguda até março de 2027, para 1,84 milhões de pessoas, devido ao conflito armado no norte do país, ao fenómeno El Niño e ao esgotamento das reservas alimentares.

A previsão consta de uma análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar, coordenada pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, que aponta para um agravamento face aos atuais 1,19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda.

O Governo moçambicano já tinha alertado para potenciais impactos do fenómeno El Niño em pelo menos 52 distritos das regiões sul e centro do país, adiantando estar em preparação de um plano de ação para mitigar os efeitos da seca e da escassez de água.

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