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Moçambique quer reforçar notificações de reações adversas a medicamentos e vacinas

Lusa
10-09-2026 10:17h

A Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme) de Moçambique considerou hoje urgente alargar a toda a população a utilização da aplicação eletrónica "ViGiMobile" para reforçar as notificações de reações adversas a medicamentos, foi hoje anunciado.

Durante uma reunião com os pontos focais de farmacovigilância das delegações da Anarme, destinada a avaliar as atividades desenvolvidas pela divisão no primeiro semestre deste ano, a diretora da Divisão de Farmacovigilância e Ensaios Clínicos da Anarme, Merana Mussá, defendeu que a massificação do uso da plataforma "é urgente" e não deve limitar-se apenas à área da saúde, pois a mesma foi concebida para o público".

Segundo a responsável, a aplicação permite notificar reações adversas a medicamentos e eventos adversos pós-vacinação, devendo os pontos focais de farmacovigilância e os colaboradores da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos reforçar a divulgação da ferramenta junto das famílias, comunidades e outras instituições.

Mussá explicou ainda que as notificações feitas através de formulários físicos só são validadas após o respetivo registo no sistema eletrónico.

O ViGiMobile é uma ferramenta digital desenvolvida pelo Uppsala Monitoring Centre, centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS), que permite a notificação de reações adversas a medicamentos e vacinas por profissionais de saúde e cidadãos, integrando os dados no sistema internacional de farmacovigilância.

A utilização da plataforma eletrónica, segundo a Anarme, está também alinhada com as recomendações da OMS e foi um dos elementos considerados na recente atribuição a Moçambique do Nível de Maturidade 3 (ML3) do sistema regulatório de medicamentos e vacinas, que reconhece a robustez e a eficácia das funções regulatórias do país.

De acordo com as autoridades moçambicanas, as províncias de Tete, Nampula e Sofala registaram o maior número de notificações de reações adversas a medicamentos, enquanto Nampula, Inhambane e Cabo Delgado lideraram os registos de eventos adversos pós-vacinação.

Em 24 de agosto, a OMS passou a considerar Moçambique um regulador confiável de medicamentos e vacinas, após atribuir à autoridade reguladora de medicamentos o Nível de Maturidade 3 (ML3), reservado a sistemas estáveis, funcionais e integrados.

"A conquista de Moçambique é o resultado de um investimento sustentado na capacidade regulatória que trará benefícios cruciais para a saúde pública", afirmou Sylvie Briand, cientista-chefe da OMS e diretora-geral adjunta interina para Sistemas de Saúde, Acesso e Dados, citada num comunicado da agência da ONU.

Com este reconhecimento, Moçambique tornou-se o primeiro país africano lusófono e o décimo no continente a atingir este patamar, o que significa, segundo a OMS, que a autoridade reguladora nacional tem capacidade para assegurar que medicamentos e vacinas são avaliados quanto à sua qualidade, segurança e eficácia e monitorizados ao longo de todo o seu ciclo de vida.

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