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Vale de Cambra apoia crescente número de alunos autistas com monitorização via EUA

LUSA
05-09-2026 08:35h

A Cooperativa Focus e a Câmara de Vale de Cambra vão garantir até dezembro de 2027 apoio complementar específico a um “crescente número de alunos com autismo”, acompanhando a evolução de 42 com monitorização à distância por especialistas norte-americanos.

Em causa está o projeto Imparidades proposto pela Focus, que, especializada na oferta de projetos de vida individualizados a pessoas com Perturbações do Espetro do Autismo (PEA), vem dando formação nessa matéria a docentes e outros profissionais do Agrupamento de Escolas do Búzio, e sinalizou à autarquia a necessidade de aprofundar o trabalho nessa área com supervisão técnica especializada e implementação de modelos estruturados de intervenção.

O presidente da Focus, Fernando Barbosa, explica à Lusa: “Cada caso de autismo é um caso diferente, mas o certo é que, quanto mais cedo se intervier, melhor. E como estas crianças não estão a ter do Estado acompanhamento suficiente, e muito menos um currículo ajustado às suas necessidades, o nosso objetivo é garantir-lhes um apoio mais especializado e com maior intensidade de intervenção, para que desenvolvam o mais possível as suas capacidades, logo desde as primeiras suspeitas”.

Na prática, a Câmara de Vale de Cambra vai investir assim um total de 42.000 euros na contratação de um terapeuta focado em apoiar o que, num universo de 2.597 alunos do ensino pré-escolar até ao 12.º ano, inclui 42 alunos com diagnóstico confirmado ou suspeita precoce de autismo. Essa amostra terá maior incidência no pré-escolar e 1.º Ciclo, onde a Focus diz que a patologia “está a aumentar” e a refletir-se em casos com “mais severidade”.

A esse terapeuta juntar-se-ão 12 professores de Educação Especial, três terapeutas e três psicólogos, o que a coordenadora de Educação Especial das escolas do Búzio diz que será “claramente insuficiente” para 116 alunos com necessidades educativas especiais – dos quais 56 com necessidades de saúde também distintas, como “alimentação por sonda, aspiração de secreções e ainda um 'boom' de diabetes e alergias alimentares”.

O Imparidades não esquece, contudo, outros profissionais da escola, que faz questão e acompanhar em contexto laboral real. “O projeto também dá formação especializada aos assistentes operacionais, que, para colmatar as falhas do Ministério da Educação, todos os dias estão a assumir responsabilidades que não lhes deviam ser exigidas”, realça Sofia Almeida, lamentando que “o valor desses profissionais” raras vezes seja reconhecido como devia – nem salarial nem socialmente, já que, “numa carreira de 30 anos, entram e saem nas mesmas condições”.

Todo o trabalho desenvolvido ao abrigo do Imparidade segue o Modelo de Denver de Intervenção Precoce e o Star Program & Links Curriculum, metodologias que a cooperativa Focus, fundada em 2012, vem promovendo como as que apresentam melhores resultados logo desde os primeiros sinais de autismo, mesmo nas idades em que o diagnóstico não pode ainda confirmar-se.

“Como estas crianças e jovens têm perfis muito diferenciados, faltava um plano individualizado de acordo com as características de cada um”, refere Mónica Seixas, vereadora de Educação e Ação Social na Câmara de Vale de Cambra, referindo como exemplo que alguns cidadãos com autismo têm problemas de regulação emocional enquanto outros têm como principal dificuldade a incapacidade de comunicação.

Além de garantir uma estratégia para cada aluno, o Imparidades sujeita os casos mais complexos à avaliação de especialistas que, a partir dos Estados Unidos da América (EUA), por videoconferência, se reúnem mensalmente com a equipa do Agrupamento do Búzio para analisar a evolução concreta desses jovens e ajustar as terapias à sua situação atual.

“Tudo é pensado caso a caso”, diz Mónica Seixas, que realça que a estratégia do Imparidades passa também por alargar competências fora da escola, em atividades como campos de férias desportivos, “em contexto normal, com todas as outras pessoas que participam nessas iniciativas, para uma inclusão real e verdadeira, no terreno, dia a dia”.

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