SAÚDE QUE SE VÊ

Amnistia Internacional defende que Hamas deve pôr fim às execuções extrajudiciais

LUSA
21-08-2026 09:41h

A Amnistia Internacional defendeu hoje que as autoridades e as forças associadas ao Hamas na Faixa de Gaza ocupada devem pôr fim às execuções extrajudiciais de suspeitos de colaboração com Israel, realizadas sem qualquer processo judicial.

Em comunicado, a Amnistia Internacional (AI) adianta ter investigado e documentado nove execuções extrajudiciais e homicídios ilegais cometidos por forças afiliadas ao Hamas.

“Embora os responsáveis do Hamas afirmem ter aberto investigações internas preliminares sobre os incidentes, tanto quanto é do conhecimento da Amnistia Internacional, nenhum dos responsáveis pelos homicídios foi chamado a responder até à data”, é referido na nota.

De acordo com a AI, só no mês passado, os responsáveis da segurança da ala militar do Hamas, as Brigadas Al-Qassam, anunciaram a execução sumária de um homem por colaboração com Israel e a intenção de executar outro “informador” nos dias seguintes, no âmbito do que designaram como uma campanha de segurança em grande escala.

“Para esta investigação, a Amnistia Internacional documentou nove execuções extrajudiciais e um homicídio ilegal, tendo todos estes incidentes, com exceção de um, ocorrido imediatamente após o chamado cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025”, adianta a AI.

Segundo a investigação da AI, em “outubro de 2025, o Hamas e as suas forças associadas realizaram execuções públicas e sumárias de oito membros da família Dughmush, do bairro de Al-Sabra, na cidade de Gaza, após os terem acusado de colaborar com Israel.

“A organização documentou também outra execução a 1 de julho de 2026” e ainda o "homicídio ilegal de um homem em outubro de 2025, durante uma aparente operação de detenção no campo de refugiados de Al-Bureij, perto da Rua Salaheddine, concretizada por homens armados e mascarados”, indica a AI.

Na nota, a organização destaca um relatório da ONU de junho deste ano em que foram identificados 249 casos de execuções extrajudiciais e violência física grave em Gaza entre agosto de 2024 e o início de 2026, dos quais pelo menos 60 envolveram forças ligadas ao Hamas.

“As autoridades do Hamas devem pôr imediatamente termo a todas as mortes ilegais, atos de justiça por conta própria e detenções arbitrárias. A restauração da lei e da ordem nunca deve servir de pretexto para cometer graves violações dos direitos humanos, levar a cabo represálias ou punir coletivamente famílias inteiras”, afirmou Erika Guevara-Rosas, diretora sénior de Investigação, Defesa, Políticas e Campanhas da Amnistia Internacional.

De acordo com Erika Guevara-Rosas, “os responsáveis por ordenar e executar execuções extrajudiciais, bem como detenções arbitrárias, tortura e outros maus-tratos, devem ser responsabilizados".

“Apesar do anúncio da dissolução do comité governamental que administra Gaza, o Hamas continua a ser plenamente responsável por impedir violações graves por parte das suas agências e indivíduos sob o seu controlo, incluindo as Brigadas Al-Qassam e o “Sistema de Segurança da Resistência”, disse.

No comunicado, a AI refere que partilhou um resumo das suas conclusões com a liderança do Hamas em novembro de 2025 e enviou um pedido de esclarecimento em julho deste ano.

“Na sua resposta de novembro de 2025, as autoridades do Hamas afirmaram ter aberto investigações sobre os incidentes, sem revelar mais detalhes”, refere a AI, acrescentando não haver qualquer resposta ao pedido deste ano.

MAIS NOTÍCIAS