A criação da carreira especial de médico dentista no SNS permitirá, pela primeira vez, uma forma estável de contratação destes profissionais, além da regularização de vínculos precários e da reabertura de consultórios encerrados, defendeu hoje o sindicato do setor.
O Presidente da República promulgou na segunda-feira o diploma aprovado este mês por unanimidade no parlamento, que cria a carreira especial de médico dentista no SNS.
O diploma prevê a integração destes profissionais nos serviços de saúde oral das Unidades Locais de Saúde (ULS), respondendo a uma reivindicação antiga da classe.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos Dentistas do Setor Público e Social Português (SMDSP), António Pereira da Costa, a promulgação marca "o início de uma nova fase de particular relevância" para o SNS.
“Finalmente vemos a nossa carreira a avançar”, afirmou à agência Lusa o dirigente sindical, salientando que, pela primeira vez, “haverá uma forma estável de contratação de médicos dentistas”, substituindo a diversidade de vínculos atualmente existente.
Segundo o sindicalista, atualmente há médicos dentistas contratados ao abrigo da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, outros com contratos individuais de trabalho, muitos ainda enquadrados como técnicos superiores e uma parte significativa continua em regime de prestação de serviços.
Contou que a Autoridade para as Condições do Trabalho tem intervindo em várias ULS por considerar que existem situações suscetíveis de configurar falsos recibos verdes e que já existem decisões favoráveis a profissionais.
Na sua perspetiva, a nova carreira deverá contribuir para reduzir a precariedade e a elevada rotatividade dos profissionais.
“Apesar de neste momento poderem ser contratados como técnicos superiores, ainda há unidades locais de saúde que não o fizeram, umas por desconhecimento, outras por falta de vontade, e como tal, os médicos dentistas continuam sem ocupar esses consultórios e sem dúvida que isto vai permitir que a população tenha ganhos em saúde uma vez que vamos ter todos os consultórios a funcionar”, realçou.
Defende, contudo, que a implementação da carreira deverá ser acompanhada por medidas específicas de recrutamento. Em concreto, propõe que o Ministério da Saúde e a Direção Executiva do SNS criem um regime excecional que permita às ULS contratar dentistas sem que essas vagas concorram diretamente com as de outras profissões.
"Como esta é a primeira carreira criada para médicos dentistas desde a criação do SNS, as ULS não devem ter de escolher entre contratar um médico dentista ou outro profissional", defendeu.
O sindicalista sublinhou que o diploma estabelece que os dentistas atualmente contratados como técnicos superiores transitem para a nova carreira e, para os que estão em regime de prestação de serviços, prevê a abertura de procedimentos concursais que valorizem a experiência adquirida no SNS.
O Governo dispõe de 90 dias após a publicação do diploma em Diário da República para regulamentar matérias como os índices remuneratórios, a avaliação e outras normas de aplicação da carreira, prazo que o sindicato considera “mais do que suficiente”.
O diploma prevê também que os profissionais passem a estar organizados em serviços de saúde oral nas ULS, em linha com o modelo previsto no documento "Saúde Oral 2.0", o que, afirma, o permitirá reforçar a articulação entre dentistas, higienistas orais e os restantes profissionais, promovendo uma resposta mais uniforme e organizada.
António Costa apelou ainda a um maior envolvimento da Direção Executiva e da coordenação nacional da saúde oral na implementação deste modelo organizativo, defendendo que isso facilitará a integração da medicina dentária nas ULS e o desenvolvimento da saúde oral no SNS.