Cerca de 4.600 mulheres morrem e outras 5.600 são diagnosticadas anualmente com cancro do colo do útero em Moçambique, estimaram hoje as autoridades de saúde, alertando que a doença representa um grave problema de saúde pública.
"O cancro do colo do útero é um problema de saúde pública no nosso país, e é responsável por cerca de 5.600 novos casos anuais e com uma alta taxa de mortalidade", disse hoje a chefe do Programa Nacional do Controlo do Cancro, Cesaltina Lorenzoni, durante a abertura de uma mesa redonda sobre o cancro do colo do útero, em Maputo.
Segundo a responsável, o país regista anualmente cerca de 4.600 casos de morte pela doença, numa realidade que acompanha o cenário observado em vários países de baixos e médios rendimentos, sobretudo na África subsariana.
"A epidemiologia do cancro do colo do útero, esta incidência e esta mortalidade, não está tão isolada daquilo que é o padrão nos países de médio e baixo recurso, principalmente nos países da África Subsariana, onde tem enfrentado este fardo, tal como Moçambique", assinalou.
A responsável recordou ainda as metas definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar o cancro do colo do útero como problema de saúde pública até 2030, nomeadamente a vacinação de 90% das raparigas até aos 15 anos, o rastreio de 70% das mulheres e o tratamento de 90% dos casos diagnosticados.
"Este é um desafio para o mundo. É um desafio para a África, é um desafio para a África subsariana, com todos os limites que nós temos, e é um grande desafio para Moçambique atingir estas metas", declarou.
Apesar das dificuldades, Lorenzoni destacou os esforços desenvolvidos pelo Ministério da Saúde em parceria com organismos de cooperação internacional. Entre as medidas adotadas, referiu a existência de um programa nacional de prevenção desde 2009, a revisão das normas de abordagem do cancro do colo do útero e da mama em 2020 e o lançamento da vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV, na sigla inglês) para meninas de 9 anos em 2021.
"Em 2021 iniciámos o programa de vacinação para as meninas com 9 anos, tendo sido um marco muito importante para Moçambique", destacou.
A chefe do Programa Nacional do Controlo do Cancro apontou ainda avanços na formação de especialistas, revelando que o país conta atualmente com os primeiros quatro ginecologistas oncológicos formados através de um programa internacional e com mais cinco médicos em formação: "Acreditamos que até 2027 teremos um total de cerca de nove médicos formados".
Lorenzoni defendeu igualmente o reforço da investigação científica para sustentar políticas públicas e o desenvolvimento de novas tecnologias adaptadas aos países de baixos rendimentos.
"Nós estamos a pensar que se nós conseguirmos aprovar estas tecnologias, as mesmas serão usadas para os países de baixa renda, mais especificamente para os países da África subsariana, onde o peso do cancro do colo do útero é bastante visível", afirmou.
No âmbito desses esforços, acrescentou, estão também a ser utilizados "algoritmos de inteligência artificial" para ampliar o rastreio, diagnóstico e tratamento da doença em Moçambique e "atingir o maior número da população".
As autoridades moçambicanas avançaram em outubro que o país regista anualmente cerca de 26 mil novos casos de cancros que causam mais de 17 mil mortos, pedindo aposta na prevenção, diagnóstico e combate a estas doenças.
“Em Moçambique, estima-se que ocorram por ano cerca de 26 mil novos casos e pouco mais de 17 mil mortes devido à doença maligna, sendo que os mais frequentes são os cancros do colo do útero, da mama, da próstata, o sarcoma de Kaposi, o cancro pediátrico e outros cancros relacionados ao HIV/Sida”, disse o secretário permanente do Ministério da Saúde, Ivan Manhiça, assinalando que o cancro de colo de útero e o de mama são os mais fatais para as mulheres no país.