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Ébola: Surto na RDCongo a um ritmo alarmante e sem precedentes - MSF

Lusa
05-08-2026 11:08h

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou hoje que o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) está a espalhar-se a um ritmo alarmante e sem precedentes e a agravar a crise humanitária no país.

A propósito da visita à RDCongo do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a diretora médica adjunta da MSF disse que “novos casos suspeitos estão a ser reportados quase diariamente em novos locais, fora das cadeias de transmissão já identificadas”.

Segundo Philippa Boulle, dois meses e meio após a declaração do surto de Ébola, a situação no leste da RDCongo “é mais crítica do que nunca”.

“O surto está a espalhar-se a um ritmo alarmante e sem precedentes, apesar dos esforços incansáveis ​​das equipas médicas na linha da frente”, frisou.

De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Comunicação da RDCongo, o atual surto de Ébola no país já matou 1.751 pessoas.

Foram registados 3.874 casos, desde o início do surto no leste da RDCongo.

A organização MSF defende que, para evitar mais perdas de vidas, a resposta deve superar a taxa de transmissão atual.

“A resposta médica internacional deve ser ampliada sem demora, e muitas lacunas críticas ainda precisam de ser abordadas”, indicou Philippa Boulle.

Isto apesar dos “progressos inegáveis ​​na triagem e no rastreio de contactos” que foram registados, mas que “continuam a ser muito insuficientes”.

No centro de tratamento de Ébola dos MSF em Bunia, 90% dos doentes internados não tiveram os seus contactos rastreados, enquanto em toda a província de Ituri apenas 59% dos contactos foram rastreados.

“Há uma necessidade urgente de um maior envolvimento da comunidade. Uma resposta bem-sucedida só pode ser alcançada se for construída com e liderada por atores locais. Sem as comunidades no centro da resposta, a vigilância e o rastreio de contactos continuarão a deixar passar casos”, prosseguiu Philippa Boulle.

E alertou: “Este surto está a agravar uma crise humanitária em curso. Malária, sarampo, cólera, desnutrição e outras doenças evitáveis ​​​​e tratáveis ​​​​continuam a causar doenças e mortes significativas. O apoio contínuo às unidades de saúde é também crucial para que possam continuar a prestar serviços de saúde essenciais durante toda a resposta e proteger os profissionais de saúde”.

A organização MSF tem atualmente mais de 1.400 funcionários mobilizados na resposta ao surto de doença pelo vírus Ébola no leste da RDCongo.

Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Comunicação congolês, com dados recolhidos até segunda-feira, a taxa de letalidade está atualmente nos 45,1%.

Até à data, cinco províncias congolesas foram afetadas pelo surto de Ébola: Ituri (epicentro do surto), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uélé (leste), além de Tshopo (centro-norte).

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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