SAÚDE QUE SE VÊ

Projeto de estudantes universitários acompanha famílias após diagnóstico de demência

LUSA
05-08-2026 09:20h

A plataforma digital SARA está em desenvolvimento por estudantes universitários de Porto e Lisboa e visa “apoiar as famílias que cuidam de pessoas diagnosticadas com demência”, entre consultas, orientação e organização de tarefas.

Segundo explica à Lusa a diretora-executiva do projeto, Rita Graça, a intervenção ocorre “num pós-diagnóstico, não tanto quando as famílias têm um diagnóstico já há oito ou nove anos”, apoiando no início de novas rotinas e tarefas. Conta com um calendário para registo de consultas, atividades e episódios médicos, uma funcionalidade que regista a evolução da doença a partir de anotações dos cuidadores, e a emissão de um relatório para apoiar um clínico geral ou neurologista que acompanhe o caso, entre outras funcionalidades.

Porque “nenhuma família devia cuidar sozinha”, como se pode ler no sítio oficial do projeto na Internet, os cincos estudantes atualmente envolvidos no desenvolvimento da plataforma querem fazê-la chegar a pessoas ainda este ano, estando já em acesso antecipado e testes com algumas famílias.

“É dar apoio às famílias, fazer com que os cuidadores não tenham de passar por tudo sozinhos. A falar com alguns cuidadores, percebemos que, grande parte do intervalo entre consulta A e consulta B, é tudo escrito num caderno. O que acontece nesse meio, em casa, é tudo escrito no caderno. Então, isto é só um dos pequenos exemplos de coisas que deveriam estar a ser mais automatizadas e não estão”, exemplifica a estudante.

Segundo a jovem, a caminho de mestrado na escola de gestão de informação e de ciência de dados da Universidade Nova de Lisboa, em que se licenciou em Sistemas e Tecnologias de Informação, a plataforma agrega informação, tarefas e orientações “de forma simples e intuitiva”, facilitando o processo para os cuidadores de pessoas com demência.

Nesta fase, o projeto tem contactado hospitais, associações, autarquias e seguradoras para estabelecer parcerias, porque querem que o produto seja gratuito para os utilizadores, para poder chegar “ao maior número de famílias”, num contexto em que por vezes é difícil encontrar pessoas para quem esta seja uma necessidade, por ser uma questão muitas vezes tratada em privado.

“A ideia em si surgiu de um problema pessoal e depois, quando fui confrontar isso com dados reais, comecei a perceber que afinal não era só pessoal e sim mundial. De facto, os números são assustadores, cerca de 57 milhões de pessoas no mundo têm demência, e isto é um número conservador, e só em Portugal são cerca de 240 mil. E comecei a perceber que, de facto, não havia assim muito apoio para estas famílias. Há apoios para o diagnosticado, mas para a família não há”, nota a jovem de 20 anos.

O projeto começou em abril, quando Rita Graça e quatro outras pessoas ficaram em segundo lugar num concurso de ideias, separando-se a equipa, agora reformulada para a European Innovation Academy, a decorrer no Porto, com um total de cinco pessoas, das quais quatro ingressaram na academia, representando a Nova, a Universidade do Porto e o Instituto Superior Técnico.

Além de Rita Graça, no Porto têm trabalhado Madalena Videira, João Moutinho e Flávio Magalhães, nas várias áreas de produto, sistemas e ‘design’, durante um evento a decorrer no Edifício Abel Salazar, esta semana, e dedicada a “projetos de ‘startups’ inovadores na área da saúde”.

Entre os projetos estão também o Synetra, uma “plataforma portátil de monitorização pré-hospitalar de doentes”, segundo comunicado da organização, ou o SunCheck, que funciona como um penso para monitorizar os raios UV.

MAIS NOTÍCIAS