SAÚDE QUE SE VÊ

Projeto-piloto de Rede de Farmácias de Referência para situações de emergência arranca em Leiria

LUSA
17-07-2026 18:30h

Um projeto-piloto para criar a primeira Rede de Farmácias de Referência para situações de emergência e catástrofe em Portugal deverá arrancar em outubro, em Leiria, revelou hoje à agência Lusa a vereadora Ana Valentim.

“Em outubro, prevemos assinar o protocolo entre o município e a Ordem dos Farmacêuticos”, disse Ana Valentim.

O projeto resulta da experiência adquirida na sequência da depressão Kristin que, em 28 de janeiro, afetou gravemente o concelho e “evidenciou a necessidade de integrar as farmácias, de forma estruturada, nos mecanismos municipais de Proteção Civil”, refere uma nota de imprensa da autarquia.

Segundo a vereadora, que tem o pelouro da saúde, na sequência da depressão, uma farmácia registou danos, além de que outras ficaram sem eletricidade e sistemas de comunicação.

“É importante ter esta rede, para garantir que o acesso aos medicamentos não falhe às pessoas”, adiantou.

Na nota, a Câmara explica que “a iniciativa permitirá que Leiria seja o primeiro concelho do país a integrar formalmente uma rede de farmácias no Serviço Municipal de Proteção Civil e no Plano Municipal de Emergência, aumentando a capacidade de resposta do concelho e garantindo o acesso da população a medicamentos e serviços farmacêuticos em cenários de crise”.

O objetivo é “reforçar a capacidade de resposta do concelho, reduzindo a dependência de iniciativas isoladas e assegurando o acesso contínuo da população aos medicamentos e aos serviços farmacêuticos, mesmo em situações de emergência e catástrofe”.

A adesão das farmácias à Rede de Farmácias de Referência para situações de emergência e catástrofe é “voluntária e organizada em três níveis de preparação, permitindo uma integração gradual de acordo com a capacidade de cada” estabelecimento, esclarece a autarquia.

O primeiro nível contempla medidas básicas de preparação, o segundo reforça a capacidade de assegurar a continuidade do serviço e o terceiro corresponde à integração como Farmácia de Referência Municipal, “destinada às unidades que cumpram requisitos técnicos e operacionais mais exigentes”.

“As farmácias de referência municipal serão selecionadas com base em critérios de cobertura territorial, capacidade operacional e requisitos técnicos, incluindo segurança das instalações, autonomia energética, comunicações, manutenção da cadeia de frio e cibersegurança”, adianta a nota.

A Câmara prevê que, numa primeira fase, “a rede seja constituída por sete a dez farmácias estrategicamente distribuídas pelo concelho, garantindo uma resposta eficaz em todo o território e a continuidade do acesso aos medicamentos e aos serviços farmacêuticos, com especial atenção às pessoas mais vulneráveis, como doentes crónicos, idosos”, e utentes de lares e com apoio domiciliário.

O projeto contempla também um grupo técnico de acompanhamento, exercícios em matérias de Proteção Civil e uma fase-piloto, de seis meses para testar e aperfeiçoar o modelo.

Após os seis meses, o objetivo é “consolidar uma rede municipal permanente de farmácias preparadas para responder em situações de emergência e catástrofe”, acrescenta.

A experiência desenvolvida em Leiria pretende servir de referência para uma futura implementação noutros municípios, sendo acompanhada pela Ordem dos Farmacêuticos e pelo Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

Em 20 de março, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, desafiou a Câmara a ser pioneira num projeto que integre as farmácias como entidades prioritárias no plano de Proteção Civil em situações de catástrofe.

Na ocasião, o bastonário considerou que Leiria pode liderar um projeto para identificar farmácias em pontos estratégicos que possam continuar a funcionar mesmo quando há falha de eletricidade ou comunicações.

MAIS NOTÍCIAS