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Vacina experimental para prevenir cancro do pâncreas com resultados positivos

Lusa
16-07-2026 17:50h

Uma vacina experimental direcionada para um dos fatores genéticos mais comuns que causa cancro do pâncreas revelou-se segura e gerou respostas imunitárias duradouras em pessoas de alto risco.

As conclusões constam de um ensaio clínico de fase 1, que contou com 20 participantes, e que foram publicadas na Cancer Discovery, uma revista científica da Associação Americana para a Investigação do Cancro.

Segundo os autores do ensaio, estes resultados representam "a primeira demonstração em humanos” de que uma vacina dirigida à mutação do gene KRAS pode “gerar, de forma segura, respostas imunitárias duradouras, o que poderá prevenir o desenvolvimento de cancro em pessoas de risco".

A investigação foi conduzida por cientistas do Kimmel Cancer Center da Universidade Johns Hopkins e do Skip Viragh Center for Pancreatic Cancer, dos Estados Unidos.

O adenocarcinoma ductal pancreático — o tipo mais comum de cancro do pâncreas — é um tumor agressivo, frequentemente diagnosticado em fases avançadas e com uma baixa taxa de sobrevivência a cinco anos.

Aproximadamente 10% dos casos estão associados a uma predisposição hereditária causada por mutações patogénicas em genes específicos de suscetibilidade ao cancro, que são transmitidas de pais para filhos.

As mutações no gene KRAS estão presentes na maioria dos cancros pancreáticos e lesões pré-cancerosas e a vacina permite que o sistema imunitário reconheça e destrua as células portadoras destas mutações antes que se tornem cancerígenas, referem as conclusões.

O estudo avaliou a mKRAS-VAX, uma vacina à base de peptídeos que tem como alvo as seis mutações mais comuns do gene KRAS encontradas no cancro pancreático.

Um total de 20 participantes com predisposição hereditária para este tumor e com uma anomalia pancreática identificada através de exames de imagem receberam a vacina entre abril de 2022 e fevereiro de 2026.

Foram administradas quatro doses ao longo de 13 semanas e o progresso dos participantes foi monitorizado através de análises ao sangue e avaliações de acompanhamento.

A equipa de investigadores concluiu que 18 dos 20 participantes (90%) desenvolveram uma resposta imunitária significativa e apresentaram um aumento médio de 18,2 vezes nas respostas das células T específicas para o gene KRAS mutante, indicando que a vacina ativou com sucesso as células imunitárias capazes de reconhecer as mutações.

Após um seguimento mediano de 16,5 meses, nenhum dos participantes desenvolveu cancro pancreático ou lesão pancreática de alto risco que exigisse remoção cirúrgica, refere o estudo, que indica ainda que todos os efeitos adversos foram classificados como ligeiros ou moderados, incluindo fadiga e sintomas semelhantes aos da gripe.

Os investigadores salientaram que o estudo foi concebido principalmente para avaliar a segurança e as respostas imunitárias e não para determinar se a vacina previne o cancro pancreático.

Alertaram ainda que o reduzido tamanho da amostra e o período de seguimento relativamente curto limitam as conclusões sobre a eficácia clínica.

"Isto é apenas o início, mas os resultados sugerem que o sistema imunitário está a ser ativado", referiu Elizabeth Jaffee, coautora principal do estudo, salientando que se trata de um "bom começo rumo à prevenção, algo em que ninguém tinha pensado antes".

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