Um estudo que analisou internamentos por infeção respiratória na Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra concluiu que quase metade dos doentes com vírus sincicial respiratório (VSR) desenvolve complicações graves e taxa de mortalidade é de 17,8%.
De acordo com uma nota de imprensa, o estudo analisou 24 mil internamentos de adultos por infeção respiratória entre 2018 e 2024, com 2.257 a terem sido causados pelo VSR.
O estudo conclui que 48,7% dos doentes internados por aquele vírus desenvolve falência respiratória, mais de 60% apresentam infeções bacterianas secundárias e a taxa de mortalidade intra-hospitalar atinge 17,8% das pessoas internadas.
“Os dados acabam por ser surpreendentes porque mostram o impacto em número de internamentos e na mortalidade. Este é um vírus conhecido pelas bronquiolites nas crianças, mas nos adultos não tínhamos tanto a noção do seu impacto”, afirmou à agência Lusa o investigador principal do estudo e pneumologista da ULS de Coimbra, Tiago Alfaro.
Segundo o especialista, “há muita coisa a fazer em relação a este vírus”, nomeadamente alertar para o impacto da doença nos adultos, sobretudo acima dos 60 anos (91% das pessoas internadas tinham mais de 60 anos e mais de metade apresentava doenças crónicas).
De acordo com Tiago Alfaro, os internamentos ocorrem sobretudo no inverno, na mesma altura em que se registam infeções de gripe.
A prevenção é similar àquilo que é recomendado em relação à gripe, como o uso de máscaras em períodos de maior carga da doença, lavagem de mãos e evitar zonas com muitas pessoas, acrescentou.
“O mais importante é a vacinação”, vincou, referindo que as vacinas para este vírus, relativamente novas em Portugal, têm uma duração de pelo menos três anos, não sendo ainda comparticipadas.
O promotor do estudo, que tem sido realizado também noutras ULS do país, é a farmacêutica GSK, uma das titulares da vacina em Portugal, mas não a única a comercializá-la no país, aclarou.
O vírus sincicial respiratório transmite-se através do nariz, olhos ou boca, depois do contacto com secreções ou objetos que contêm os vírus.
Os sintomas e gravidade “podem variar de acordo com a idade ou o estado de saúde, sendo os mais frequentes as secreções nasais e oculares, tosse, pieira, febre, dificuldade em respirar, prostração e diminuição do apetite”, explicou a nota de imprensa.