O coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde apelou hoje à cooperação entre instituições, ao reforço da saúde pública e à preparação dos cidadãos para que Portugal seja resiliente face a emergências como sismos, ondas de calor e incêndios.
“Mais do que falar de saúde e resiliência na saúde, nós precisamos, meus caros amigos, minhas caras amigas, de um Estado resiliente”, disse Adalberto Campos Fernandes durante a CNN Portugal Summit subordinada ao tema "Resiliência da Saúde perante Emergências Complexas" organizada em conjunto com a Egas Moniz School of Health & Science, em Almada.
Na sua intervenção sobre “Saúde e Resiliência”, Adalberto Campos Fernandes não se centrou apenas na saúde, mas em todas as áreas que considera importantes para fazer face às crises, considerando que, hoje em dia, a resistência consiste, sobretudo, em conseguir mobilizar a inteligência estratégica de um país, a partir daquilo que são as suas comunidades do conhecimento e “por os olhos nos best performers, ou seja naqueles que fizeram melhor” recomendando que se olhe para o caso do Japão.
Num momento em que o mundo observa o impacto dos terramotos na Venezuela, o responsável alertou que Portugal vive “em cima de um barril de pólvora”, uma vez que se encontra “em cima de uma das mais sérias e vulneráveis falhas sísmicas do ecossistema geológico”.
“Nós vamos ter um grande sismo na Grande Lisboa e no Algarve, só não sabemos quando”, disse adiantando que os estudos feitos indicam que terá grande impacto pelo que é necessário que todos trabalhem em conjunto, usando a lição aprendida durante a pandemia para que o país seja um Estado resiliente mais do que um Estado apenas setorialmente eficaz.
Adalberto Campos Ferreira advoga que é preciso antecipar e construir capacidades com a inteligência e com tempo, por considerar que o improviso mata, lembrando que os anglo-saxónicos e os nórdicos gastam 90% a planear e 10% a executar enquanto em Portugal há tendência de se gastar 10% a planear e depois 90% a executar.
"Todos os modelos matemáticos preditivos apontam para um grande número de fatalidades que nós podemos ao dia de hoje diminuir. Essa é a boa notícia. Nós não temos que resignar a isso", disse o médico, ex-ministro da Saúde e atualmente Coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde nomeado pelo Presidente da República, António José Seguro.
Na sua intervenção defendeu ainda que é necessário adaptar, ajustar as respostas em tempo real, “não chorar sobre o leite derramado”, não crucificar os operacionais em condições de esforço e trabalho no seu dia-a-dia, uma cadeia de comando, uma governação clara e eficaz e uma união sem fronteiras ideológicas entre os partidos.
Adalberto Campos Fernandes apelou ainda à necessidade e envolver os cidadãos, dando-lhes ferramentas de capacidade de defesa, de proteção e de reação.
“Não sejamos paternalistas. Não há país que sobreviva ao risco se a população for tratada com o mínimo de informação e no momento da crise receber um SMS. Apreendamos com o Japão, façamos visitas de estudo ao Japão e vejam que em cada cidadão japonês existe um especialista em autoproteção e em proteção da comunidade”, disse.
A CNN Portugal Summit "Resiliência da Saúde perante Emergências Complexas", que decorre hoje na Egas Moniz School of Health & Science, no concelho de Almada, reúne líderes institucionais, decisores políticos, profissionais de saúde, investigadores, especialistas em proteção civil, tecnologia e gestão de risco para promover uma reflexão estratégica sobre os desafios que moldam o futuro da saúde e da resposta a emergências.