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Governo brasileiro admite que seca pode superar recorde na Amazónia

LUSA
15-08-2026 08:44h

O ministro do ambiente brasileiro admitiu que a Amazónia poderá enfrentar uma seca recorde devido ao El Niño, mas considerou prematuro prever um cenário semelhante a 2024, garantindo estar a trabalhar para evitar problemas de isolamento, abastecimento e incêndios.

“O risco de uma seca mais forte está sendo indicado, quer dizer, na verdade, a tendência é essa. Porém, os rios estão mais altos, tem mais água no sistema hídrico”, afirmou, em entrevista à Lusa, João Paulo Capobianco, à margem Conexões Produtivas - Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, um evento promovido pela  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Manaus, para reforçar o debate sobre as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia (UE), face às tensões comerciais com os Estados Unidos (EUA) e à aposta na diversificação dos mercados de exportação.

O El Niño resulta do aquecimento das águas do oceano, prevendo-se no Brasil a estiagem (redução da chuva) mais intensa na região norte, ondas de calor e atraso nas chuvas na região central do Brasil, que inclui o sudeste e centro-oeste, e chuvas intensas, com possibilidade de ventos fortes na região sul do país.

“O nível dos rios está bem mais alto neste momento do que estava no primeiro semestre de 2024”, período no qual a maioria das cidades registou algum grau de seca e, em setembro, auge do verão na Amazónia, quase 98,3% sofreram de seca, segundo dados da InfoAmazonia. 

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Manaus registou apenas cerca de 3,5 milímetros de chuva nos primeiros dez dias de agosto, o equivalente a aproximadamente 1% do volume esperado para todo o mês. 

O ministro brasileiro admitiu à Lusa que a seca poderá afetar a produção agropecuária de larga escala, mas afastou um cenário de fome entre as populações amazónicas, destacando as medidas em curso para garantir o abastecimento das comunidades e o fornecimento de combustível.

“Do ponto de vista de impacto sobre situação de fome, não. Nós não acreditamos que nós teremos esse problema”, sublinhou.

O Governo do Brasil está a reforçar a preparação para minimizar os efeitos de uma seca na Amazónia associada ao El Niño, considerada "inevitável e quer evitar o isolamento de comunidades e os incêndios no ‘pulmão do mundo’.

“Acreditamos que vamos conseguir minimizar o impacto de um evento como esse, que infelizmente é inevitável”, disse.

O ministro explicou que o Governo brasileiro começou a preparar-se desde o início do ano, quando as previsões meteorológicas já apontavam para o risco de seca, através de uma "sala de situação" que reúne 22 ministérios e coordena as medidas de resposta.

“Na questão do risco de isolamento de comunidades, já existe um mapeamento de comunidades que  poderão sofrer esse problema de isolamento, já há um planeamento para distribuição  de combustível adicional para as cidades e localidades”, garantiu o ministro brasileiro.

Na Amazónia, onde os rios funcionam como importantes vias de transporte e ligação entre comunidades, uma descida acentuada do nível das águas pode comprometer a logística e dificultar o acesso a localidades mais isoladas, afetando o abastecimento e a circulação de pessoas e bens.

Outra frente de preparação do Governo brasileiro está relacionada com o risco de incêndios, para os quais foram mobilizados mais de 5.000 profissionais, entre brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros servidores públicos ligados ao combate ao fogo.

“Também aumentámos o número de aeronaves e de equipamentos” para reforçar a capacidade de resposta aos incêndios, afirmou o ministro.

No fim do mês de julho, o Governo brasileiro anunciou um plano de 1,33 mil milhões de reais (229 milhões de euros) para enfrentar o impacto climático associado ao El Niño, no qual estão previstas ações de prevenção e resposta.

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