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Novo reitor da UTAD com foco no início do curso de Medicina e prazos de obras PRR

LUSA
02-07-2026 10:28h

O reitor eleito da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), João Barroso, disse que tem o foco no arranque do curso de Medicina, na conclusão das obras nas residências e na acreditação da academia.

Depois de mais de um ano de impasse, o Conselho Geral da UTAD, em Vila Real, elegeu na segunda-feira o novo reitor, que espera agora a homologação dos resultados pelo ministro da Educação para a tomada de posse.

João Barroso tem 62 anos, é professor catedrático e docente da Escola de Ciências e Tecnologia da UTAD, tendo integrado a equipa reitoral por três vezes, a última das quais como vice-reitor.

Em entrevista à agência Lusa, o reitor eleito disse hoje estar a trabalhar na constituição da equipa que o vai acompanhar no mandato de quatro anos, mas já com o foco no arranque do Mestrado Integrado em Medicina, em setembro, nas obras nas residências de estudantes, que têm que estar concluídas a 31 de agosto, e no relatório para a avaliação da academia, que é preciso finalizar até dezembro.

O curso de Medicina arranca com 40 vagas e será, para João Barroso, “uma âncora para a universidade”, não havendo “nenhuma dúvida quanto a isso”.

“A única reserva aqui é relativamente ao estado do processo que eu tenho que me inteirar”, apontou.

Adiantou, por isso, que vai criar uma ‘task force’ para garantir que o Mestrado em Medicina se “inicia nas melhores condições e assegurar o futuro”.

O curso tem uma aprovação condicional de dois anos pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).

O ministro da Educação já disse que o contrato programa, relativamente a esta formação, só será assinado depois da tomada de posse do novo reitor.

Questionado sobre se este poderá ser um dos seus primeiros atos formais, João Barroso respondeu: “Gostaria que sim, dar-me-ia alguma tranquilidade também.”

Outra prioridade é a “acreditação da própria instituição”.

“Neste último mandato a instituição foi acreditada apenas por três anos com condicional, quer dizer que tem condições que tem que cumprir. Esse período está próximo do fim, nós temos que entregar o relatório até ao final do ano”, explicou.

O objetivo da UTAD “é a acreditação plena, sem condições", para ficar de “igual para igual com as restantes universidades nacionais que têm a acreditação por seis anos”.

“Depois temos outras situações também emergentes, como é a finalização das empreitadas das residências, porque tem prazos muito apertados para conclusão, são os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) [31 de agosto] e não podemos correr o risco de não concluir estas empreitadas dentro dos prazos”, salientou.

A UTAD pode iniciar o ano letivo 2026/27 com mais de mil camas nas residências, praticamente o dobro do ano que agora termina, o que, para João Barroso, permite à academia ser mais competitiva e atrativa para os alunos.

João Barroso vai ainda pedir uma auditoria financeira à universidade para “um ponto de situação” e, a partir daí, “programar ações futuras”.

E, aproveitando a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), quer avançar também com uma reorganização institucional em faculdades, no âmbito da qual prevê criar uma faculdade na área das ciências da saúde.

Será, assim, criada uma assembleia estatutária para adequação dos estatutos ao RJIES.

No âmbito da revisão do RJIES, os reitores passam a ser eleitos por voto direto da comunidade académica, incluindo antigos estudantes.

A academia transmontana viveu desde março de 2025 num impasse devido a uma divergência na designação dos membros cooptados do Conselho Geral, órgão que elege o reitor, que acabou nos tribunais e levou à intervenção do ministro da Educação.

O Conselho Geral ficou completo em abril, depois da tomada de posse dos membros eleitos e da eleição do presidente deste órgão, o advogado Ricardo Sá Fernandes.

“O meu foco, a minha ideia é conseguir unir a academia”, realçou João Barroso.

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