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Ébola: Número de mortes sobe para 360 na epidemia da RDCongo

Lusa
29-06-2026 11:34h

O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da República Democrática do Congo (RDCongo) elevou o número de mortes devido ao vírus do Ébola para 360 e os casos confirmados para 1.274, segundo informações divulgadas no domingo.

Segundo o último boletim divulgado pelo INSP da RDCongo, com dados recolhidos até 27 de junho, a taxa de letalidade situa-se atualmente nos 28,3%.

Além disso, a taxa de rastreio de contactos atinge os 87,1%, enquanto 178 pessoas conseguiram recuperar-se da doença e um total de 502 doentes estão "em isolamento ou hospitalizados".

O INSP alertou para os "desafios persistentes na atenção precoce ou no acesso a cuidados de saúde", bem como para a deteção de possíveis novos contágios sem que tenha sido identificado de que zona de saúde provêm, o que "poderia indicar uma expansão geográfica que exigiria uma investigação mais aprofundada".

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, uma província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro da epidemia (com 91,4% dos casos e 83,6% das mortes), mas espalhou-se também para as províncias orientais congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A epidemia também se propagou para o Uganda, onde foram detetados 20 contágios confirmados, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se registaram duas mortes.

Além disso, o Governo francês confirmou que detetou o primeiro caso positivo de doença pelo vírus Ébola, que se tratava de um médico que regressava de uma missão na RDCongo.

A epidemia corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o risco de expansão do surto na África subsaariana como "alto" e a nível global como "baixo".

A OMS estima que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes de ser declarado o surto e classificou a epidemia em 17 de maio passado como "emergência de saúde pública de importância internacional".

Trata-se já da terceira pior epidemia do vírus Ébola da história registada até hoje.

A epidemia atual está apenas atrás da que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, que deixou cerca de 11.000 mortos e 28.000 infetados; e de outra que afetou o leste da RDCongo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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