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Açores acompanham com “total transparência” estudo que detetou metais pesados em humanos nas Lajes

Lusa
26-06-2026 12:40h

O Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) continuará a acompanhar com “total transparência” o estudo da Universidade de Coimbra que detetou metais pesados em humanos que viviam junto às zonas poluídas pela base militar das Lajes, disse hoje o executivo.

Segundo a investigação, noticiada hoje pelo Expresso e que a Lusa já tinha revelado em março de 2025, foi detetado chumbo em esqueletos, “reforçando suspeitas de contaminação e ligação a surto de cancros” na Base das Lajes, na ilha Terceira.

“O Governo dos Açores reafirma que qualquer nova evidência deve ser analisada com rigor e à luz da melhor evidência científica disponível”, referiu a Secretaria Regional da Saúde, numa reação escrita enviada à agência Lusa.

A tutela acrescenta que o executivo regional “continuará a acompanhar esta matéria com total transparência, apoiando a investigação científica e assegurando que qualquer decisão em matéria de saúde pública assenta na melhor evidência científica disponível”.

O estudo divulgado, é referido, “constitui um contributo relevante para o aprofundamento do conhecimento científico nesta área”, mas os próprios autores “salientam que os resultados são preliminares e que não permitem estabelecer uma relação de causalidade entre a presença de metais pesados e a ocorrência de doença oncológica, sendo necessários estudos adicionais para confirmar e aprofundar as conclusões apresentadas”.

No que respeita aos dados epidemiológicos, os dados do Registo Oncológico Regional dos Açores, publicados para um período de 20 anos (1997-2016), apresentam informação por ilha e “não evidenciam uma incidência excecional da ilha Terceira relativamente às restantes ilhas do arquipélago”. Também a informação atualmente publicada “não permite retirar conclusões” ao nível do concelho ou da freguesia.

Ainda de acordo com a tutela regional da Saúde, a informação epidemiológica disponível até ao momento, “incluindo a que tem vindo a sustentar as posições públicas assumidas sobre esta matéria, não evidencia diferenças estatisticamente significativas na incidência global de doença oncológica entre o concelho da Praia da Vitória e os restantes concelhos da região”.

A proporção global de casos registados no concelho da Praia da Vitória, onde se situa a base, é “compatível com o respetivo peso populacional no conjunto do arquipélago”.

Os dados de incidência “permitem caracterizar a distribuição da doença, mas não estabelecer relações de causa e efeito” e, precisamente por essa razão, está em curso um estudo epidemiológico sobre fatores de risco, “que permitirá uma análise mais abrangente e cientificamente sustentada das eventuais causas associadas à ocorrência de doença oncológica na região”, adiantou a secretaria.

Está a ser desenvolvido um estudo coordenado pelo Centro de Oncologia dos Açores, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e com a Universidade dos Açores, que permitirá analisar a incidência georreferenciada de cancro por concelho e elaborar um Atlas Regional da Incidência Oncológica, “complementado por um inquérito epidemiológico sobre fatores de risco em todas as ilhas”.

Os resultados “serão divulgados após a conclusão do trabalho científico e de campo, garantindo o rigor metodológico, a validação científica e o cumprimento das normas de proteção de dados”.

Uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das Lajes, segundo um estudo que analisou esqueletos humanos da Terceira. A análise foi feita comparando dados da Praia da Vitória e de Angra do Heroísmo.

“É, de facto, um estudo pioneiro. Ele testa pela primeira vez se existe ou não a hipótese de a população da Praia da Vitória ter sido exposta à contaminação e fá-lo através dos metais pesados”, afirmou em 2025 o investigador Félix Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

O armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória.

Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

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