A formação anual da Academia Lusófona de Ciências Farmacêuticas, que deveria reunir em julho, em Coimbra, 43 cidadãos da Guiné-Bissau e de Angola, foi cancelada porque estes profissionais de farmácia não conseguiram o necessário visto consular, segundo a organização.
Paulo Pedro Matos, fundador da Academia Lusófona de Ciências Farmacêuticas (ALCF), disse à agência Lusa que as dificuldades dos participantes obterem vistos para viajarem para Portugal têm vindo a aumentar nos últimos anos.
Trata-se de profissionais lusófonos, sobretudo da Guiné-Bissau e Angola, que se inscreveram nesta formação na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, com o objetivo de melhorar a qualidade das operações e serviços que estes profissionais prestam.
A iniciativa pretende ainda melhorar a qualidade do ensino local na sua prática laboral diária, em prol da melhoria da saúde e da qualidade de vida das populações nos seus países.
As dificuldades agudizaram-se a partir do momento que os consulados externalizaram os seus serviços, disse, referindo que as plataformas online de agendamento estão constantemente indisponíveis.
Ao mesmo tempo, empresas intermediárias interpõem-se no processo de agendamento, mediante cobrança de valores, aumentando ainda mais as dificuldades dos cidadãos em obter um agendamento para a obtenção de visto.
Isto apesar de a ALCF ter enviado aos serviços consulares as respetivas cartas de chamada e serem dadas provas de que a formação existia e que os formandos tinham condições para nela participar.
Para a edição deste ano eram esperados 31 cidadãos guineenses - da Ordem dos Farmacêuticos e Técnicos de Farmácias da Guiné-Bissau e da Plataforma do Setor Privado da Saúde - que na anterior edição não conseguiram visto atempadamente e por isso a sua inscrição migrou para a de este ano.
E também 12 inscritos provenientes de Angola, na maioria tendo obtido anteriormente vistos Schengen e que participaram em edições anteriores da ALCF.
Na quinta-feira, e perante a ausência de respostas do Ministério dos Negócios Estrangeiros português às missivas enviadas pela ALCF, esta academia decidiu cancelar o evento marcado para 20 a 24 de julho deste ano, disse à Lusa Paulo Pedro Matos.
A Lusa solicitou um esclarecimento ao MNE português sobre este assunto, o qual ainda não obteve.
A ALCF é uma organização que se dedica ao desenvolvimento de atividades científicas dirigidas ao setor farmacêutico e seus profissionais dos nove países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
Foi fundada em 2017 e realiza atividades científicas de caráter anual e várias atividades integradas na sua oferta formativa.