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Associações angolanas pedem medidas para eliminar SIDA como ameaça à saúde pública até 2030

LUSA
24-06-2026 19:05h

O presidente da ANASO, rede de organizações angolanas ligadas ao setor da saúde, defendeu hoje o reforço do diálogo e melhoria das fontes de financiamento, para erradicar a SIDA como ameaça à saúde pública até 2030.

Angola reafirmou, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o compromisso de eliminar a SIDA como ameaça à saúde pública até 2030.

António Coelho disse que a Rede Angolana das Organizações de Serviços de VIH e SIDA, Tuberculose e Malária (ANASO) tem a mesma posição do Governo angolano, considerando “uma decisão histórica de uma caminhada que começou em 2001”, ano em que a ONU SIDA recomendou aos países intensificarem os esforços para eliminar o VIH/SIDA.

Segundo António Coelho, Angola tem registado avanços significativos no combate à epidemia do VIH/SID, mas precisa de garantir maior apoio para as ações de prevenção, garantir maior disponibilidade de tratamento e cuidado de pessoas vivendo com VIH (vírus da imunodeficiência humana).

Angola tem ainda como desafios, acrescentou António Coelho, o fim do estigma e da discriminação, a promoção dos direitos humanos e da igualdade do género, bem como garantir a liderança comunitária na resposta, através do empoderamento das organizações comunitárias e aprovação da política nacional sobre saúde comunitária.

A ANASO defendeu também a necessidade de se garantir um financiamento sustentável, “suportado fundamentalmente pela contribuição doméstica para a cobertura das despesas do Plano Estratégico Nacional sobre o VIH/SIDA, a tradução nacional da Estratégia Global da SIDA 2026-2031”.

“Em linhas gerais, precisamos de reforçar a liderança política através de um funcionamento mais inclusivo da Comissão Nacional de Luta contra a SIDA e grandes Endemias, reforçar o diálogo entre o Governo e as organizações da sociedade civil, através da criação de espaços de concertação, aumentar o compromisso e a solidariedade no âmbito da luta contra a epidemia”, referiu.

António Coelho disse ainda que é preciso melhorar as fontes de financiamento, com um envolvimento mais significativo do setor privado e apostar em serviços integrados, com estratégias baseadas em jovens, população-chave e pessoas vivendo com VIH.

Em Nova Iorque, o representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, disse que a reposta global “enfrenta desafios significativos, uma vez que as metas para 2025 não foram plenamente alcançadas e o mundo permanece distante do objetivo de pôr fim à SIDA até 2030”.

Francisco da Cruz disse que Angola tem reforçado a sua resposta nacional, com o aumento do investimento interno, a integração dos programas de VIH nos sistemas de saúde e proteção social e da intensificação dos esforços para combater o estigma e a discriminação.

O diplomata angolano destacou alguns resultados, com a redução da transmissão de mãe para filho de 26%, em 2019, para 13%, em 2025.

O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas frisou que o VIH/SIDA continua a representar um importante desafio de saúde pública, apesar dos progressos alcançados, avançando que, no último ano, foram registadas aproximadamente 21 mil novas infeções e 13 mil mortes relacionadas com a SIDA, “afetando de forma desproporcional mulheres, raparigas e população-chave”.

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