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Adolescentes cujos pais se distraem mais com os telemóveis são mais inseguros

Lusa
18-06-2026 17:47h

Os adolescentes que dizem “competir com os telemóveis” dos pais pela sua atenção têm maior probabilidade de desenvolver um apego inseguro em relação aos progenitores, indica um estudo divulgado hoje na revista Frontiers in Psychology.

Os resultados do estudo, citado pela agência noticiosa espanhola EFE, mostram que “as distrações digitais dos pais deterioram a qualidade da relação com os filhos e a estabilidade emocional dos menores”.

Face ao número crescente de relatos de adolescentes com dificuldades em lidar com o uso do telemóvel pelos pais, cientistas que trabalham sobre a “saúde mental digital” decidiram investigar, tendo desenvolvido uma “Escala de Interferência da Ligação a Dispositivos” (DAIS na sigla em inglês).

Esta ferramenta foi criada para medir a perspetiva dos adolescentes sobre o comportamento dos seus cuidadores principais em relação à utilização de dispositivos tecnológicos.

Uma amostra de 600 adolescentes entre os 12 e os 17 anos, representativa da população dos Estados Unidos, foi inquirida sobre a sua vinculação aos pais e como viam o uso do telemóvel pelos mesmos na sua presença.

Os cientistas concluíram quanto maior é a pontuação na "Escala de Interferência da Ligação a Dispositivos" maiores são os níveis de apego inseguro, tanto ansioso como evitativo, revelados pelos adolescentes.

À medida que crescem e se tornam adultas, as crianças com um estilo de vinculação inseguro podem tornar-se ansiosas e agarrar-se aos outros em busca de segurança, no primeiro caso, ou evitar relacionamentos para minimizar o risco de sofrimento emocional, no segundo, observam os autores.

O apego inseguro na adolescência está associado a uma saúde mental mais precária na vida adulta e à dificuldade em manter relações saudáveis, enquanto o apego seguro está ligado a relações mais satisfatórias e a um maior bem-estar, refere a EFE.

“O facto de os nossos resultados terem sido tão significativos em todos os aspetos significa que este problema parece ser muito mais prevalente do que eu imaginava”, disse Don Grant, psicólogo clínico do Newport Healthcare Research and Innovation Center, nos Estados Unidos, e um dos autores correspondentes do artigo.

“Acredito que os ‘millennials’, em particular, precisam de saber sobre esta investigação. Considerados por alguns como a primeira geração ‘nativa digital’, eram mais vulneráveis à dependência dos seus dispositivos. Agora estão a tornar-se pais. Quero realmente que conheçam o nosso estudo para os ajudar a evitar possíveis consequências negativas dos seus comportamentos com os dispositivos em termos da segurança do vínculo afetivo dos seus filhos”, acrescentou, citado no ‘site’ de divulgação científica EurekAlert.

O psicólogo adiantou que a mensagem não é que os pais larguem tudo, incluindo o telemóvel, cada vez que uma criança pede atenção, mas recomenda-se que “quando os pedidos ocorrem, os pais os reconheçam e respondam de alguma forma".

Os investigadores salientaram que o estudo é associativo e não confirma uma relação de causa-efeito entre o uso de dispositivos pelos cuidadores e a vinculação insegura, mas consideraram que os resultados justificam que se esteja alerta e que se tenha cuidado.

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