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Ébola: União Africana mobiliza 793 ME para acelerar resposta à epidemia

Lusa
18-06-2026 12:47h

A União Africana (UA) anunciou hoje ter mobilizado 910 milhões de dólares (793 milhões de euros) em promessas de doação para responder ao surto de Ébola declarado no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda.

Deste montante, 80 milhões de dólares (quase 70 milhões de euros) foram disponibilizados pelos Estados-membros da UA, precisou o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC de África), em comunicado.

Os fundos foram prometidos na terça-feira, durante uma reunião de emergência de alto nível com chefes de Estado e de Governo africanos, o África CDC, a Organização Mundial da Saúde (OMS), blocos regionais, parceiros e doadores, para reforçar a resposta à epidemia de Ébola.

Os líderes apoiaram a adoção de medidas urgentes para desembolsar a totalidade dos 518 milhões de dólares (cerca de 452 milhões de euros) necessários para o Plano Conjunto Continental de Preparação e Resposta nas próximas quatro semanas.

O plano abrange a resposta imediata nas zonas afetadas e a preparação dos países em risco, incluindo vigilância epidemiológica, rastreio de contactos, capacidade laboratorial, gestão de casos, prevenção e controlo de infeções e coordenação transfronteiriça, entre outras medidas.

“O nosso povo não nos julgará pelas nossas declarações, mas pela nossa capacidade de interromper a transmissão, proteger os profissionais de saúde, restabelecer a confiança das comunidades e garantir cuidados dignos às famílias afetadas”, afirmou o Presidente do Burundi e presidente em exercício da UA, Évariste Ndayishimiye.

Por seu lado, o diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, salientou que “a prioridade agora é a rapidez” e que cada compromisso assumido deve traduzir-se em “financiamento, fornecimentos, pessoal e apoio que cheguem às comunidades e às equipas de resposta no terreno”.

A agência africana de saúde pública advertiu que “qualquer atraso na atuação aumentará tanto o custo humano como o financeiro da resposta”.

“Se a transmissão não for rapidamente contida, as necessidades previstas poderão aumentar de 518 milhões de dólares para até 1,5 mil milhões de dólares [cerca de 1,308 mil milhões de euros]”, alertou.

Segundo os dados mais recentes das autoridades da RDCongo, foram registados 837 casos confirmados de Ébola no leste do país, incluindo 196 mortes.

O surto foi oficialmente declarado a 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, mas alastrou-se também às províncias congolesas orientais do Kivu do Norte e Kivu do Sul, bem como ao território ugandês, onde foram detetados até agora 19 casos confirmados, incluindo duas mortes, tendo sido depois declarado como epidemia.

Esta epidemia corresponde à estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a OMS, que considera “elevado” o risco na África subsaariana e “baixo” à escala global.

O vírus do Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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