As autoridades de saúde do estado brasileiro de São Paulo anunciaram hoje que estão a investigar um caso suspeito de ébola num homem que viajou recentemente para a República Democrática do Congo.
Em comunicado, a Secretaria Regional de Saúde adiantou que o homem apresentou sintomas como febre e está internado numa área isolada do Instituto Emílio Ribas de Doenças Infecciosas, em São Paulo.
Embora os exames laboratoriais ainda não tenham confirmado o caso, a investigação foi iniciada "por precaução", após a identificação dos sintomas, de acordo com os protocolos médicos.
"O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitorização", explicou Regiane de Paula, da Coordenação Regional de Controlo de Doenças, em declarações citadas no comunicado de imprensa.
As autoridades consideraram o risco de introdução da doença no Brasil como "muito baixo", devido à ausência de transmissão local e à falta de voos diretos entre o país sul-americano e a região africana afetada pelo vírus.
No entanto, recomendaram que os serviços de saúde monitorizem as pessoas com febre e um historial recente de viagens à República Democrática do Congo, assim como os seus contactos próximos.
O atual surto na República Democrática do Congo é provocado pela estirpe Bundibugyo, que apresenta uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado.
Na República Democrática do Congo foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pelo Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana.
O ébola matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos. O surto mais mortífero na República Democrática do Congo resultou em quase 2.300 mortes entre os 3.500 casos registados entre 2018 e 2020.