O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu hoje às comunidades afetadas pelo surto de ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC) para que encontrem soluções adaptadas às suas circunstâncias específicas.
“As comunidades compreendem os seus próprios desafios melhor do que ninguém e, muitas vezes, são as que estão em melhor posição para propor soluções adaptadas às suas realidades”, afirmou Tedros durante uma conferência de imprensa conjunta com o Governo congolês em Bunia, capital da província de Ituri, no leste do país, e epicentro do surto, segundo a imprensa local.
Tedros realçou que as autoridades devem dizer às pessoas o que fazer, mas “também ouvi-las” para conseguir uma resposta mais eficaz ao vírus.
O responsável da OMS garantiu ainda querer apoiar os profissionais de saúde no terreno “durante o tempo que for necessário” e estar empenhado em garantir que “outros serviços essenciais, bem como a assistência humanitária, continuem a ser prestados às comunidades de Ituri e de outras regiões”.
Embora o surto atual seja causado pela estirpe Bundibugyo, que tem uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, Tedros realçou que os cuidados adequados podem superar a doença.
“A doença do vírus ébola causada pela estirpe Bundibugyo pode ser vencida com cuidados médicos de qualidade”, sublinhou.
Por seu lado, o ministro da Saúde congolês, Roger Kamba, manifestou otimismo em relação à evolução da epidemia e à eficácia das medidas tomadas.
“O melhor cenário possível é que todas estas intervenções combinadas nos permitam reduzir gradualmente a transmissão nas três províncias afetadas [Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul]”, afirmou Kamba, adiantando que Ituri é onde estão quase todos os infetados.
Tedros chegou hoje a Bunia para se reunir com as autoridades locais e provinciais, funcionários da OMS destacados no terreno e visitar instalações de saúde.
As zonas afetadas pelo vírus estão envolvidas num conflito de longa data entre o exército congolês e os grupos rebeldes que operam na região, razão pela qual Tedros apelou a um cessar-fogo para facilitar a resposta à epidemia.
A agência de saúde pública da União Africana (UA) anunciou na quinta-feira que foram registadas 246 mortes suspeitas de ébola na RDC, na sequência do 17.º surto no país desde que o vírus foi detetado pela primeira vez, em 1976.
O vírus também se espalhou para o vizinho Uganda, onde foram confirmados nove casos, incluindo uma morte por um caso importado envolvendo um cidadão congolês, de acordo com a agência de saúde da UA.
Com provável origem em morcegos, o vírus ébola causa uma doença infecciosa grave e frequentemente fatal, caracterizada por febres hemorrágicas e rápida propagação, e afeta pessoas e outros mamíferos.