O PSD de Salvaterra de Magos acusou hoje a Câmara Municipal de atrasar a revisão do regulamento de incentivos à fixação de médicos, alertando que a inação agrava a falta de médicos de família no concelho.
Segundo o PSD de Salvaterra de Magos, o concelho tem atualmente 21.406 utentes inscritos nos cuidados de saúde primários, dos quais 14.420 têm médico de família atribuído, 6.953 não têm e 33 optaram por não ter médico. O acompanhamento é assegurado por nove médicos de Medicina Geral e Familiar, sete a tempo completo e dois em regime de meio tempo, apontando, segundo o partido, para um défice na cobertura da população.
Em comunicado, a Concelhia social-democrata afirma que o regulamento municipal de fixação de médicos “continua parado”, apesar de o partido ter apresentado propostas de alteração e alertado para a urgência de medidas há vários meses.
Segundo o PSD, a questão foi levantada pela primeira vez pelo vereador do partido na reunião de câmara de 25 de fevereiro de 2026, tendo desde então sido reiterada a necessidade de atualizar o instrumento em vigor para tornar o concelho “mais competitivo” na atração de médicos de Medicina Geral e Familiar.
A estrutura social-democrata acrescenta que, em março, apresentou uma proposta concreta para rever o regulamento e aceitou a criação de um grupo de trabalho com representação de todas as forças políticas, “numa postura construtiva”.
Contudo, “passados meses, não há decisões, não há calendário e não há resultados”, critica o PSD, considerando que o município está a ficar para trás face a outros territórios que avançaram com incentivos.
No comunicado, os sociais-democratas referem declarações recentes da ministra da Saúde, segundo as quais serão abertas todas as vagas consideradas necessárias em Medicina Geral e Familiar, reconhecendo que o Estado não pode obrigar os médicos a escolher determinados territórios.
Para o PSD, este contexto reforça a responsabilidade das autarquias em criar condições atrativas para captar profissionais de saúde, sob pena de perderem candidatos para outros concelhos.
“Enquanto outros concelhos avançam com incentivos claros e regulamentos atualizados, Salvaterra de Magos continua parada. Esta inação pode ter um custo real: perder médicos de família para outros municípios”, lê-se na nota.
Os sociais-democratas sublinham ainda o impacto da falta de médicos de família na população, apontando consequências ao nível do acompanhamento de idosos, crianças e doentes crónicos, bem como no acesso a cuidados de saúde de proximidade.
“O PSD fez propostas, mostrou disponibilidade para trabalhar em conjunto e alertou atempadamente. O que não pode acontecer é continuar tudo igual enquanto os munícipes continuam à espera”, acrescenta.
Segundo o PSD, a demora na revisão do regulamento municipal poderá reduzir a capacidade do concelho em atrair profissionais, mantendo a carência de médicos de família.
A Lusa contactou Câmara de Salvaterra de Magos, mas até ao momento não foi possível obter uma reação às acusações sociais-democratas.