O Uganda suspendeu hoje todos os transportes públicos para a República Democrática do Congo (RDCongo), devido à propagação do surto de Ébola que já provocou pelo menos 160 mortos no país vizinho.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu no domingo um alerta de saúde internacional em resposta ao 17.º surto de ébola no leste da RDCongo, na província de Ituri, que faz fronteira com o Uganda.
O Uganda reportou posteriormente dois casos suspeitos de Ébola, ambos cidadãos congoleses que tinham chegado recentemente da RDCongo.
Um dos casos suspeitos já faleceu, segundo as autoridades, noticiou a agência France-Presse (AFP).
O outro paciente testou negativo duas vezes e o Uganda não tem atualmente casos ativos de Ébola, de acordo com o Ministério da Saúde.
Todo o transporte público para a RDCongo, incluindo ferries e autocarros transfronteiriços, foi suspenso durante quatro semanas, adiantou hoje o ministério em comunicado, com exceção do transporte de carga e alimentos.
Todos os voos para a RDCongo foram também temporariamente suspensos, com a diretiva a entrar em vigor nas próximas 48 horas.
"Dada a proximidade do Uganda ao epicentro (do surto) e as estreitas ligações transfronteiriças (...) o risco de importação de mais casos (de doentes) continua elevado", frisou Diana Atwine, secretária permanente do Ministério da Saúde do Uganda, em comunicado.
Suspeita-se que o vírus já tenha causado 160 mortes em 671 casos prováveis na RDCongo, de acordo com os dados mais recentes divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Saúde Pública da RDCongo (INSP).
Em resposta a este surto de febre hemorrágica altamente contagiosa, que apresenta uma taxa de mortalidade de aproximadamente 50%, segundo o Ministério da Saúde do Uganda, os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira medidas de rastreio sanitário mais rigorosas para os passageiros aéreos provenientes da RD Congo, Uganda e Sudão do Sul.
No dia seguinte, o Bahrein anunciou a proibição de entrada, durante um mês, aos visitantes destes três países.
Não existe vacina ou tratamento clínico para a estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pelo surto atual.
A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.