Cerca de seis milhões de pessoas na Somália enfrentam níveis de insegurança alimentar que atingem níveis de crise devido à seca e subida dos preços dos alimentos agravada pela guerra no Médio Oriente, alertaram hoje especialistas apoiados pela ONU.
Quase um terço da população analisada enfrenta atualmente níveis elevados de insegurança alimentar aguda, acima das estimativas anteriores, pode ler-se no relatório dos especialistas que integram o Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar.
No documento indica-se que mais de meio milhão de pessoas enfrentaram “níveis elevados de insegurança alimentar aguda” entre abril e junho e alerta-se para um risco de fome no distrito de Burhakaba, no sul do país.
O distrito está ameaçado pela fome num “cenário catastrófico plausível caracterizado pelo fracasso da estação das chuvas”, indica-se.
Entre os fatores apontados estão a fraca precipitação durante a estação das chuvas, a mais importante na Somália para a agricultura e a pecuária, “a subida vertiginosa dos preços dos alimentos”, agravada pela guerra no Médio Oriente, e a desvalorização do xelim somali.
No relatório adverte-se ainda que a ajuda humanitária continua limitada, chegando apenas a 12% das pessoas classificadas em situação de crise ou pior e que cerca de 1,9 milhões de crianças poderão necessitar de tratamento contra a desnutrição aguda este ano.
Na semana passada, o Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou que poderá suspender a ajuda humanitária na Somália até julho caso não receba novos financiamentos.