A presidência do Conselho da União Europeia (UE), atualmente ocupada por Chipre, decidiu hoje ativar o mecanismo comunitário que permite uma partilha constante de informação para “monitorizar ativamente” o atual surto de hantavírus, anunciou Nicósia.
“A Presidência do Chipre decidiu ativar o mecanismo de Resposta Política Integrada a Crises do Conselho, em modo de partilha de informação, para monitorizar ativamente o atual surto de hantavírus”, anunciou Chipre em comunicado.
De acordo com a presidência cipriota da UE, que ocupa o lugar este semestre, tal ativação visa “facilitar a troca de informações entre os Estados-membros e as instituições da União Europeia”.
“Servirá como uma plataforma que reúne todas as informações relevantes e todas as ações em curso, com o objetivo de reforçar a consciência situacional e apoiar a preparação”, acrescenta.
Com base nos dados disponíveis até ao momento, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doença classifica o risco para a população em geral na Europa como muito baixo, desde que sejam implementadas medidas adequadas de prevenção e controlo de infeções e considerando que os hantavírus não se propagam facilmente entre pessoas.
“As atividades de troca de informação e coordenação já estão a decorrer ao nível da UE nos setores relevantes, nomeadamente nas áreas da saúde e da proteção civil”, adianta na Chipre, na nota à imprensa.
O mecanismo de Resposta Política Integrada a Crises da União Europeia foi criado para garantir uma coordenação rápida e eficaz entre os Estados-membros e as instituições europeias em situações de crise de grande dimensão, como pandemias, catástrofes naturais, ataques terroristas ou emergências humanitárias.
Quando ativado, o sistema centraliza e partilha informações em tempo real, facilita a coordenação política e operacional e apoia a tomada de decisões conjuntas ao nível da UE.
O mecanismo pode funcionar em diferentes níveis — desde simples monitorização e troca de informações até coordenação total de resposta — permitindo que a UE reaja de forma mais organizada, coerente e eficiente perante ameaças transfronteiriças.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera ainda que o risco é “moderado” para a saúde dos passageiros e da tripulação do no navio de cruzeiro MV Hondius, onde se detetou primeiro o vírus, e “baixo” para o restante da população no mundo.
A origem deste surto de hantavírus ainda é desconhecida, mas, segundo a OMS, a primeira contaminação ocorreu antes do início da expedição a 01 de abril, pois o primeiro passageiro falecido, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas já a 06 de abril.
O período de incubação do vírus situa-se entre uma a seis semanas.
Estão ainda, por isso, em curso investigações para esclarecer as circunstâncias potenciais da exposição e a fonte do surto epidémico.
A taxa de letalidade (percentagem de pessoas doentes que morrem após contrair a infeção) deste surto é, nesta fase, de 27%, segundo a OMS.
Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode provocar uma síndrome respiratória aguda.
Todos os casos até agora encontravam-se a bordo do navio.