A economia de Macau superou as expectativas com uma recuperação pós-pandemia impulsionada por "grandes eventos" culturais e desportivos, afirmou hoje o presidente da operadora de casinos Sands China.
Num discurso na abertura do maior evento de jogo da região, a G2E Asia, o presidente da Sands China, Grant Chum, afirmou que Macau entrou numa "nova era", onde o entretenimento, a cultura e o desporto são agora os principais motores de crescimento.
"A pandemia foi um período realmente desafiante, mas Macau superou-o muito bem e recuperou para além das expectativas de qualquer pessoa", disse Chum.
Macau, o capital mundial do jogo e o único local na China onde os casinos são legais, foi castigado por anos de restrições de viagem devido à política 'covid-zero'.
No entanto, Chum destacou uma rápida transformação numa "economia de eventos" que abrange arte, música e desporto.
Macau fechou 2025 com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas (cerca de 26,15 mil milhões de euros), mais 9,1% do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas ou 24 mil milhões de euros).
A cidade semiautónoma chinesa atingiu também um novo recorde histórico no ano passado, recebendo cerca de 40,1 milhões de visitantes, um aumento de 14,7% em relação a 2024.
Apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia.
Nos últimos anos, as autoridades de Macau têm seguido um política de diversificação económica, ditada pelo Governo central da China, que procura tornar a economia local menos dependente da indústria do jogo, através do desenvolvimento de setores como grande eventos, cultura, finanças ou tecnologia.
Apesar desses esforços, de acordo com dados oficiais, o jogo representou quase metade de todo o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025.
Operam no território seis concessionárias, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, que renovaram, em dezembro de 2023, o contrato de concessão para os dez anos seguintes.
Na altura, as seis operadoras comprometeram-se a investir mais de 100 mil milhões de patacas (10,4 mil milhões de euros) em elementos não ligados ao jogo.
Chum sublinhou que todas as seis operadoras de casinos licenciadas na cidade têm vindo a "impulsionar proativamente a diversificação" para remodelar a reputação global do território.
Segundo o executivo, a "economia de eventos está verdadeiramente a florescer" no território, com novas infraestruturas disponíveis, como a Galaxy Arena e o regresso de espetáculos emblemáticos como o The House of Dancing Water, da rival Melco.
Como exemplo da nova direção, Chum apontou o regresso da principal liga de basquetebol do mundo, a norte-americana, a NBA, à China, no ano passado, após uma ausência de seis anos.
Os dois jogos de pré-época, em 10 e 12 de outubro, trouxeram a Macau as equipas dos Brooklyn Nets e dos Phoenix Suns e encheram a Venetian Arena, com capacidade para 14 mil pessoas.
"Embora os NBA China Games fossem tradicionalmente realizados em grandes centros do interior da China, como Xangai ou Pequim, a liga escolheu Macau para a sua mais recente série de dois jogos de pré-temporada" destacou.
Em 09 e 11 de outubro deste ano os Houston Rockets irão defrontar, no mesmo local, os Dallas Marevicks, cujo dono é Patrick Dumont, diretor executivo da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands.