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Estudo revela que insuficiência cardíaca pode ser tratada mais rapidamente

Lusa
28-04-2026 08:00h

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que iniciar dois tratamentos em simultâneo em doentes com insuficiência cardíaca é viável e seguro e pode permitir que os doentes recebam tratamento recomendado pelas diretrizes internacionais.

“Esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos. Este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura”, afirma o professor e investigador da FMUP João Pedro Ferreira, citado em comunicado.

Publicado no Journal of the American College of Cardiology, em janeiro, este estudo avaliou doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, um tipo de insuficiência cardíaca em que o coração tem dificuldade de bombear o sangue de forma eficaz.

Os doentes estavam a ser seguidos em vários centros no Norte do país, nomeadamente nas Unidades Locais de Saúde São João e Santo António, no Porto, Gaia/Espinho e Matosinhos.

Segundo o autor principal do estudo, “as diretrizes internacionais recomendam que os fármacos sejam iniciados o mais precocemente possível e as doses ajustadas.

“Antes deste ensaio, não se sabia se era seguro e eficaz iniciá-los em simultâneo ou se seria melhor começar um e só depois o outro, um a três meses depois”, explicou o investigador que integra também a unidade de investigação RISE-Health.

Assim, com esta investigação ficou demonstrado que “a estratégia é segura, o que significa que não aumenta os efeitos adversos, quando se compara com a estratégia de começar o tratamento com apenas um medicamento e adicionar o outro após algumas semanas ou meses”, acrescentou.

Para chegar a esta conclusão, os autores analisaram os doentes ao longo de cerca de seis meses.

De acordo com o resumo enviado à Lusa, o foco esteve na ocorrência de eventos clínicos relevantes e efeitos adversos comuns, como, por exemplo, pressão arterial demasiado baixa, alterações perigosas do potássio e da função renal, ida à urgência e hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade por causa cardiovascular.

Nesta investigação foi testado o início simultâneo ou sequencial das terapêuticas “pilar” no tratamento desta patologia (sacubitril/valsartan) e de inibidores do SGLT2, que além da insuficiência cardíaca também estão indicados em doentes com diabetes e/ou doença renal crónica.

No total foram incluídos 62 participantes – 29 no grupo simultâneo e 33 no grupo sequencial – com idade média de 68 anos e a maioria do sexo masculino, de acordo com a epidemiologia da doença.

“Não houve aumento de complicações graves no grupo que iniciou ambos os fármacos em simultâneo”, garante João Pedro Ferreira, destacando que “ao fim de 12 semanas, todos os doentes que continuavam no estudo já estavam a tomar ambos os medicamentos e a maioria conseguiu atingir doses-alvo até às 24 semanas”.

“Não houve sinais de pior tolerância renal, baixa grave de pressão arterial ou de alterações graves de potássio no grupo simultâneo”, concluiu João Pedro Ferreira que, na FMUP, tem seguido uma linha de investigação que visa melhorar o tratamento das doenças cardiovasculares, renais e metabólicas.

A insuficiência cardíaca é uma doença crónica grave que provoca sintomas como falta de ar e retenção de líquidos e que é uma das principais causas de mortalidade acima dos 65 anos de idade.

Estima-se que, em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vivem com insuficiência cardíaca.

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