Partidos da oposição acusaram hoje o Governo de ter falhado nas promessas para resolver os problemas do SNS nos últimos dois anos, críticas que a ministra da Saúde rejeitou, alegando que o serviço público está a “produzir mais”.
As diferentes posições foram manifestadas numa interpelação promovida pelo Livre, sobre o estado do SNS, dois anos após a governação da coligação PSD-CDS/PP, com o deputado Paulo Maucho a considerar que o Governo “não resolveu nenhuma emergência, não transformou nenhum problema” no SNS.
Já no encerramento do debate, a líder parlamentar do Livre pediu que ainda este ano se abra “uma negociação séria para a valorização de todas as carreiras da saúde e uma reflexão transversal sobre a motivação e a retenção dos profissionais no SNS” e apelou ao executivo que “se afaste das soluções de curto prazo, assente em remendos e privatizações” e siga um caminho “completamente diferente”.
Na resposta, a ministra da Saúde salientou ser necessário olhar para o “SNS com rigor e verdade”, ao assegurar que, atualmente, esse serviço público “acompanha mais portugueses do que nunca” e está a “produzir mais num contexto de maior pressão e cada vez mais exigente”.
A deputada Marta Silva, do Chega, referiu que, dois anos depois, o “balanço é arrasador”, piorando a capacidade de resposta aos utentes, questionando ainda se o “Governo já começou a limpeza dos abusadores do SNS”, numa referência à comissão de combate à fraude.
Já socialista Susana Correia, afirmou que a “AD prometeu um SNS mais eficiente, mais rápido e mais acessível” mas o “país hoje tem um SNS mais frágil, mais instável e mais desigual” e acusou o Governo de governar “entre anúncios” e não ter “uma visão coerente para o SNS”.
A deputada argumentou também que “o que realmente está a funcionar é aquilo que estava em curso no tempo do PS”.
Em defesa do Governo, o parlamentar social-democrata Francisco Sousa Vieira realçou a “coragem política” do atual executivo para “fazer o que não foi feito até agora” na saúde, e lamentou que a oposição agora “peça que a ministra vá embora” do executivo.
Pelo CDS-PP, João Almeida reconheceu que “ainda não está tudo bem” no SNS, tendo em conta que dois anos de governação “não foram suficientes para resolver tudo”, mas realçou que a política de saúde já “saiu do estado terminal em que a esquerda a deixou”.
Pela IL, Joana Cordeiro referiu que o Governo “já não pode continuar a refugiar-se na herança” socialista, considerando que os problemas de acesso, de resposta e de organização do sistema “continuam muito longe de estar resolvidos”, e defendendo que o seu partido “não quer acabar com o serviço público”, mas sim salvá-lo com “liberdade, transparência e foco nos resultados”.
A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, realçou que o Governo não só não resolveu nenhum dos problemas do SNS, “como os agravou”, criticando ainda “opção política” de transferir serviços para o setor privado e de “empurrar os profissionais ainda mais para fora” do serviço público de saúde.
Inês Sousa Real, do PAN, disse não partilhar da leitura do Governo, considerando que o SNS “passou para os cuidados intensivos”, e Filipe Sousa, do JPP, acusou o Governo de falhar de falta de “coragem política para agir”.
Fabian Figueiredo, do BE, outro deputado único, avisou que “os portugueses estão fartos de esperar” e defendeu que o “Governo tem que deixar explicações fantasiosas e garantir saúde e qualidade a tempos e horas, como prometeu quando assumiu funções”.
Já na reta final do debate, depois do social-democrata Miguel Guimarães ter dito que em ditadura os partos aconteciam em casa e atualmente a taxa de mortalidade de recém-nascidos é bastante mais baixa, o líder parlamentar do Chega afirmou que “Salazar construiu mais hospitais do que o Governo do PSD”.