SAÚDE QUE SE VÊ

Gaia disponível para participar na discussão sobre centros de referência para cirurgia cardíaca

Lusa
22-04-2026 17:45h

A Unidade Local de Saúde de Vila Nova de Gaia/Espinho (ULSGE) manifestou hoje disponibilidade para participar na discussão sobre a rede de centros de referência para cirurgia cardíaca do Norte, destacando a importância de valorizar as soluções existentes.

Esta posição da ULSGE, onde existe um dos centros referência do Norte, surge após hoje a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, ter considerado que a Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, reúne condições para ser centro de referência afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (tavis).

“A ULSGE está disponível para participar na discussão deste tema, no enquadramento das orientações das entidades competentes, sendo este um processo conduzido pela Direção Executiva do SNS”, lê-se numa resposta escrita enviada à agência Lusa que cita o presidente da administração da ULSGE, Luís Matos, que, no entanto, não responde à questão sobre se tem disponibilidade para apoiar a ULS Santo António na sua ambição de ser centro referência afiliado.

Sublinhando que, “enquanto decorre este processo, a ULS Gaia/Espinho mantém total disponibilidade” para, “com a capacidade instalada, experiência e diferenciação, contribuir para a resposta assistencial, designadamente através do reforço dos meios que permitam dar uma resposta mais célere aos doentes”.

“Importa valorizar soluções que, assentes nos meios já existentes, permitam dar respostas com impacto mais imediato na redução das listas de espera. A nossa principal prioridade são, e serão sempre, os doentes, em particular a melhoria do acesso e a redução das listas de espera”, termina.

A Lusa também questionou a ULS São João, no Porto, que não quis comentar.

Atualmente, doentes que necessitem de intervenções nesta área são referenciados para ULS São João, ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho, bem como da ULS Braga, uma estrutura que há cerca de dois meses estava a trabalhar a 20% da sua capacidade, prevendo-se que atinja o pleno até ao final do ano.

Ana Povo foi hoje ouvida na Assembleia da República, a pedido do partido Chega, a propósito da possibilidade de criação de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, numa audição cuja visualização ‘online’ ficou sem som após cerca de 45 minutos de transmissão.

“Muito do que está aqui em causa é permitir que aquela unidade [referindo-se à ULSSA] comece a fazer tavis como centro afiliado. Acontece que a colocação de tavis, tal como norma da Direção-Geral de Saúde, implica que exista uma equipa cirúrgica ‘on-house’, que com uma unidade de cirurgia cardíaca afiliada de um ou de qualquer centro, tornaria possível. Já tem um cirurgião cardíaco, bastava vir outro e mais a restante equipa”, disse Ana Povo.

Ana Povo foi questionada sobre uma polémica que remonta a fevereiro, altura em que o Diário de Notícias (DN) noticiou que diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais do Norte (Santo António, no Porto, Tâmega e Sousa, Matosinhos e Trás-os-Montes e Alto Douro) subscreveram uma carta sobre o panorama na cirurgia cardíaca na região, missiva dirigida à ministra da Saúde, na qual alertavam para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica, as chamadas tavis.

Nessa ocasião, à ULS Santo António foi atribuída a ambição de vir a criar um centro de referência nesta área e revelado um despacho conjunto assinado por Ana Povo, o qual falava da viabilidade da criação de um centro na ULSSA, unidade de saúde onde a governante exerceu funções.

“Leia o despacho e verá que não é um despacho decisório. A partir daí não há conflito de interesses nenhuns”, disse hoje Ana Povo em resposta à deputada do Chega Cláudia Estêvão.

Também por essa ocasião a Ordem dos Médicos e diretores de serviços, nomeadamente de Gaia e do São João, alertaram para um possível esvaziamento de recursos humanos caso viesse a ser criado um novo centro de referência a Norte.

Hoje Ana Povo referiu que Portugal “está na cauda da Europa” na colocação de tavis e insistiu que “ninguém pode dormir descansado com esta situação”.

A secretária de Estado lamentou que na ULSSA haja um cirurgião cardíaco contratado desde 2016 “impedido de operar”.

A Lusa questionou também a ULS Santo António sobre este tema, nomeadamente sobre se já realizou reuniões com os responsáveis de centros de referência da região para a possibilidade de se tornar afiliado de algum destes, e aguarda resposta.

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