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Ministro pede rapidez na melhoria do acesso ao planeamento familiar em Moçambique

Lusa
17-04-2026 15:32h

O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, apelou hoje a um esforço coletivo para acelerar a melhoria do acesso ao planeamento familiar, sobretudo nas zonas rurais, face às 700 mil gravidezes indesejadas entre adolescentes e jovens.

"Temos de criar demanda, melhorar a oferta de serviços [de planeamento familiar]. Está claro o que temos de fazer sobre isso e aqui, obviamente, todos nós somos chamados a unir sinergias para alcançarmos este aumento da oferta", disse Ussene Isse, durante uma reunião para o Planeamento Familiar e Contraceção, em Maputo.

 Falando durante o evento, que contou com a participação, entre outros, de parceiros de cooperação e doadores do setor da saúde, o ministro assinalou que a prioridade está agora em acelerar todos os esforços para melhorar a oferta ao nível rural, onde está 60% da população, com uma média de seis filhos por agregado familiar.

"Ao fazermos isto, estamos já a atacar o problema com base em evidência. É isto que nos caracteriza, mas para que isso aconteça, é necessário que haja esta sinergia, este envolvimento de todos nós, lideranças, comunidade, sociedade civil", afirmou, reiterando ser tempo de agir com urgência.

Segundo o dirigente, quando o país dispõe de 25% de cobertura desse planeamento e uma média de 700 mil gravidezes indesejadas entre adolescentes e jovens, há agora a necessidade de trabalhar para evitar essas gestações e garantir o futuro e o bem-estar da comunidade.

"Quando uma menina jovem, adolescente, fica grávida, tudo o resto se perde, deixa de ir para a escola e tem complicação da mortalidade, pode morrer por complicações do parto. Então, com tudo isto, temos de continuar a trabalhar para tomar decisões e isto vai proteger a juventude", explicou.

A intervenção nessa componente, prosseguiu, vai permitir salvar a juventude e dar poder para que ela tenha direito, escolha, futuro e vida: "Isto é que tem de acontecer. Esta é a primeira orientação".

 Para Isse, apesar dos desafios que Moçambique ainda enfrenta, há também ganhos alcançados sobre os quais devem ser alicerçadas as ações para alcançar e melhorar o acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva da população.

"É este caminho que nós temos de avançar como país. Se conseguirmos alcançar esta cobertura universal ao nível dos lugares subprimários Moçambique vai ganhar, vamos reduzir muitas complicações que hoje aparecem", afirmou o governante.

Segundo Ussene Isse, as intervenções comunitárias devem continuar a ser a "bandeira" do país, com o uso, sublinhou, de brigadas móveis e agentes polivalentes de saúde: "Portanto, temos de continuar a incentivar esta mudança de paradigma em que os cuidados primários sejam o nosso foco de atenção investirmos cada vez mais lá para alcançarmos a nossa cobertura universal".

"Por isso, como Governo, continuaremos a mobilizar cada vez mais recursos para melhorar este acesso, melhorar a oferta dos serviços para aquela demanda que foi aqui apresentada, que não estamos a conseguir responder. Este é o caminho que temos de fazer", concluiu.

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