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Moçambique garante financiamento para digitalizar primeiras 63 unidades de saúde

Lusa
15-04-2026 15:26h

As autoridades de saúde moçambicanas garantiram mais de meio milhão de euros para digitalizar 63 unidades sanitárias em cinco anos, com financiamento do Banco Mundial, projeto que pretende chegar ainda a 863 unidades com apoio norte-americano.

O diretor Nacional de Planificação e Cooperação no Ministério da Saúde, José Manuel, avançou hoje que o financiamento de 40 milhões de meticais (537 mil euros) foi assegurado no âmbito de um trabalho de mobilização de financiamento para acelerar a digitalização de 63 unidades sanitárias, no âmbito de um programa mais vasto, apoiado pelos Estados Unidos da América (EUA).

O responsável acrescentou que, no mesmo processo para se garantir o financiamento, o Ministério da Saúde assinou um memorando de entendimento com o Governo norte-americano que prevê digitalizar um total de 863 unidades sanitárias no mesmo período de cinco anos, entre o total de 1.900 unidades existentes no país, embora não tenham sido avançados mais detalhes.

“Obviamente que este exercício terá que acontecer em paralelo ao incentivo, ao estímulo do setor privado e outros atores válidos para que haja continuidade de produção de soluções tecnológicas de saúde. Que possam também ser implementadas para complementar este processo de digitalização das nossas unidades sanitárias”, disse em Maputo José Manuel, à margem da primeira conferência de Saúde Digital de Moçambique.

No evento de três dias, que reúne especialistas nacionais e internacionais, incluindo de Portugal, Brasil, Índia, EUA, Ruanda, Zâmbia e Quénia, para a partilha de experiências e inovações tecnológicas no domínio do conhecimento nas áreas do setor, além de assinatura de acordos com o setor privado vai ajudar na mobilização de recursos entre os parceiros para a concretização do plano de cobertura digital no país.

A Lusa noticiou este mês o objetivo do Ministério da Saúde de apostar no uso de meios digitais no atendimento aos pacientes para modernizar os serviços, melhorar a qualidade, acelerar o acesso e aumentar a eficiência, no âmbito da preparação da conferência que se inicia hoje, tendo frisado que o Governo quer impulsionar a modernização do setor da saúde, incluindo avançar com estratégias concretas para a provisão fácil de cuidados de saúde, face ao crescimento populacional.

O diretor Nacional de Planificação e Cooperação no Ministério da Saúde defendeu hoje, no evento, o reforço da literacia e de infraestruturas de saúde digital nas comunidades e nos profissionais do setor para concretizar a digitalização do setor.

“Não basta que haja a digitalização das nossas unidades sanitárias. É necessário também criar uma infraestrutura suficiente para esta digitalização. Mas, acima de tudo, é a capacitação dos nossos profissionais de saúde para utilização, portanto, deste processo de digitalização, mas também a melhoria da literacia em saúde digital da nossa população”, considerou José Manuel, alertando que “por si só” a digitalização não resolve os problemas que o setor enfrenta.

Para o responsável do pelouro da planificação no Ministério da Saúde, a digitalização do setor vai diminuir o tempo de espera nas salas de atendimento aos utentes, menos gastos financeiros com a deslocação dos profissionais de saúde, além de modernizar os serviços, tornando-os mais próximos das comunidades.

Por outro lado, acrescentou que Moçambique já está a avançar com o projeto-piloto de implementação da componente de saúde digital no Hospital Geral de Mavalane, em Maputo, região sul, e está em construção uma infraestrutura digital em Chimoio, província de Manica, e no Hospital Central da Beira, ambas no centro.

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