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Moçambique apreendeu 2,4 ME em drogas em 2025 e gastou 1,1ME a tratar consumidores

Lusa
15-04-2026 14:00h

Moçambique apreendeu drogas no valor de 2,4 milhões de euros em 2025, menos 88% do que no ano anterior, e gastou 1,1 milhões de euros a tratar consumidores, segundo dados divulgados hoje.

Segundo o relatório Anual sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), divulgado hoje, Moçambique apreendeu, em 2025,mais de quatro toneladas de diversas drogas, destacando-se a heroína, a cocaína, e a canábis sativa.

As autoridades moçambicanas avaliam assim a droga apreendida em 2025 em 181.474.606 meticais (2,4 milhões de euros), uma redução face ao ano anterior, onde se apreendeu droga avaliada em pouco mais de 1.624 milhões de meticais (21,6 milhões de euros).

No relatório acrescenta-se que Moçambique gastou no ano passado pelo menos 88.637.048 meticais (1,1 milhões de euros) do financiamento externo para tratar pessoas usuárias de droga por substituição de opiáceos como metadona, conforme informação do gabinete de combate à droga, que cita dados do Ministério da Saúde.

Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.

O GCPCD indica, como rotas do tráfico de drogas em 2025, Afeganistão-Paquistão-Pemba-Zambézia-Maputo-África do Sul para os casos de metanfetamina, heroína e anfetamina; São Paulo-Adis Abeba-Maputo-África do Sul para cocaína e Índia-Moçambique no caso de haxixe, sublinhando que “Moçambique é rota para África do Sul e Europa”.

Segundo este gabinete, as formas usadas para esconder drogas, neste período, foram “ocultação em veículos”, com a modificação de compartimentos em carros, camiões, autocarros, contentores, uso de embarcações como pequenos barcos para transporte costeiro e interiores de residências e em sacos.

“Nestes processos notam-se atos de corrupção, com envolvimento de funcionários públicos em pontos de entrada”, alerta-se no documento

Em 2025, conforme noticiou anteriormente a Lusa, foram detidas 617 pessoas, contra 732 de igual período do ano 2024, correspondente a uma redução de 115 arguidos.

“Do total dos cidadãos detidos, 228 beneficiaram de liberdade provisória, 283 acompanharam os respetivos processos ao Ministério Púbico para ulteriores termos processuais sob custódia e 106 aguardam igualmente sob custódia pela conclusão da instrução preparatória dos processos em que estão envolvidos", adianta-se no relatório.

Segundo este documento, em 2025, 42 cidadãos moçambicanos foram detidos fora do país por crimes de tráfico de drogas em 13 países, com destaque para o Brasil, onde 22 estão em reclusão.

Face a estes casos, o gabinete recomenda a ampliação de núcleos antidroga e capacitar professores para compensar a redução no número de ativistas, além de manter vigilância ativa sobre drogas injetáveis e novas substâncias, mesmo sem registos atuais.

“Garantir fiscalização mais rigorosa da indústria farmacêutica e do desvio de medicamentos controlados e reforçar a capacidade de intervenção das instituições que atuam no combate/controle e repressão”, figuram também entre as recomendações.

O número de pessoas atendidas nos hospitais moçambicanos por consumo de drogas subiu 38% em 2025, para 32.281, além da realização de 4.500 visitas domiciliárias de apoio psicossocial e ministradas cerca de 60 mil palestras sobre os malefícios do uso de drogas, a mais de 2.790.000 pessoas, noticiou anteriormente a Lusa.

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