A Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga colocou dois médicos, transitoriamente, no centro de saúde de Vieira do Minho, concelho que se debatia com a falta destes profissionais, após duas médicas de família entrarem em licença de maternidade.
Em declarações hoje à agência Lusa, a diretora clínica para os cuidados de saúde primários da ULS Braga indicou que os dois médicos vão substituir as colegas até ao regresso destas, repondo, desta forma, os seis médicos que prestam serviço no centro de saúde local e nas extensões de Ruivães e de Rossas.
“O problema já estava identificado pela ULS Braga há algum tempo, mesmo antes do protesto da população. Havia, em simultâneo, a ausência de duas colegas por licenças de maternidade prolongadas, o que nos levou ter uma preocupação acrescida. Em resultado da diária monitorização do problema, sempre em comunicação com a coordenadora local, conseguimos disponibilizar dois profissionais, em substituição e a título transitório”, explicou Aldara Braga.
Esta responsável sublinha que, com o reforço destes dois clínicos, a equipa médica fica “plena”, assegurando a resposta aos utentes que, até agora, estavam, temporariamente, sem médico de família, devido à sobreposição das duas licenças de maternidade.
“Em número, a equipa médica [seis médicos] está completa. Quando tivermos o retorno das colegas que estão em licença de maternidade, estes dois médicos, que estão em substituição, regressam, e a equipa continuará assim completa”, salienta a diretora clínica para os cuidados de saúde primários da ULS Braga.
Quanto ao número de utentes de Vieira do Minho sem médico de família, Aldara Braga refere que esse valor “é residual”, face aos seis médicos que prestam serviço no concelho que asseguram uma cobertura “exemplar”.
Em 16 de março deste ano, a população de Vieira do Minho protestou contra a falta de médicos, sublinhando, na ocasião, haver apenas quatro clínicos para cerca de 14 mil utentes, a maioria sem médico de família, que espera meses por uma consulta.
O que estava previsto ser uma conferência de imprensa da Comissão de Utentes da Saúde de Braga acabou por juntar, há cerca de um mês, perto de três centenas de utentes num protesto ruidoso em frente ao centro de saúde local, que custou 1,7 milhões de euros e foi inaugurado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em julho de 2024.
A comissão de utentes e a população deram conta de que havia apenas quatro médicos para todo o concelho, dois no centro de saúde e dois nas extensões de Ruivães e de Rossas, para um universo a rondar os 14 mil utentes, que aguardariam anos por médico de família, meses por uma consulta, ou que tinham de se levantar de madrugada para tentarem uma consulta do próprio dia, o que nem sempre se conseguia.
“Queremos mais médicos para Vieira do Minho; a saúde é um direito e não um privilégio; os vieirenses merecem ser respeitados; Vieira está esquecida; a nossa voz tem de ser ouvida; iremos lutar”, foram algumas das frases entoadas pelos presentes no protesto.