Cerca de três dezenas de utentes concentraram-se hoje frente à entrada do Hospital Dr. Fernando da Fonseca, na Amadora, para alertar para a situação no acesso aos cuidados de saúde e pela defesa do financiamento do SNS.
Organizada pela Comissão de Utentes de Saúde da Amadora, a concentração foi precedida de um cordão humano que caminhou cerca de 500 metros empunhando duas faixas e sob palavras de ordem como “A saúde é um direito, sem ela nada feito”.
Aos jornalistas, Pedro Sousa, porta-voz da Comissão de Utentes da Amadora explicou que o protesto tem como base o alerta para a falta de financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para as condições no acesso aos cuidados de saúde naquela unidade hospitalar.
“Nós temos, neste momento, uma falta de médicos que ronda os 300 médicos. Temos falta de cerca de 1.400 enfermeiros, no mínimo, dos mínimos, isso só pode ser conseguido com a valorização dessas carreiras”, disse Pedro Sousa.
Para o responsável é necessária a “valorização das carreiras dos profissionais de saúde”, com a melhoria das condições técnicas, assim como “carreiras que sejam efetivas e as pessoas se sintam pertencentes ao SNS, não estejam a saltar, como acontece muitas vezes com estes enfermeiros e médicos que são os chamados tarefeiros”.
“Nós precisamos de maiores condições de instalações, de hospitais maiores, há falta de gabinetes, há falta de médicos, há falta de profissionais de saúde no geral. Nós estamos aqui a reclamar isso precisamente, a necessidade de investir. Na verdade, não é investir, na verdade é apostar no SNS, porque só este pode permitir que todos tenham acesso aos cuidados de saúde”, frisou.
E acrescentou que, muitas vezes, quando há historial de doenças crónicas, em casos de insuficiência renal ou problema grave de saúde, “é quase sempre ao SNS que se pode acorrer”.
“Qual é o serviço de privado de saúde que vai ter lucro ao cuidar daquela utente?”, questionou, sublinhando que nos privados “não há cuidados desses, salvo algumas exceções”.
Segundo Pedro Sousa, no momento da verdade, “quem está lá é o SNS. E é isso que nós estamos aqui a fazer, é reivindicar que o SNS seja salvo. Ele está a afundar-se. É uma situação grave. Atenção, isto não são adjetivos sensacionalistas, é aquilo que está a ocorrer e, em termos numéricos e objetivos, que pode ser constatado por toda a gente”.
A concentração de hoje insere-se na semana de luta do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, que exige o aumento do investimento no SNS, defendendo “um sistema público forte, universal e de qualidade para todos os cidadãos”.
Inaugurado em 1995, o Hospital Dr. Fernando da Fonseca, integrado na Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora/Sintra, serve utentes destes dois concelhos, dando resposta a uma população superior a 550 mil habitantes, sendo uma das áreas de influência mais populosas do SNS.
Para sábado está agendada uma concentração, pelas 15:30, em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa.