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África do Sul recebe primeiro lote de lenacapavir para a prevenção do VIH

Lusa
08-04-2026 17:59h

A África do Sul recebeu o primeiro lote de lenacapavir, um medicamento antirretroviral de longa duração utilizado para prevenir o VIH/Sida, confirmou hoje o Governo deste país africano, com maior incidência do vírus no mundo.

"Este medicamento injetável, administrado de seis em seis meses, chegou ao país na passada quinta-feira e espera-se que alargue as opções de prevenção do VIH e melhore a adesão ao tratamento", afirmou o Ministério da Saúde sul-africano, em comunicado.

Espera-se que o medicamento seja especialmente útil para "os grupos prioritários mais vulneráveis, como adolescentes e jovens mulheres, profissionais do sexo e homens que têm sexo com homens, entre outros", pode ler-se no documento.

Este primeiro lote inclui 37.920 doses, detalhou o Ministério, referindo que a data oficial de lançamento da campanha será anunciada em breve, juntamente com "um plano de implementação faseada".

"O lenacapavir é um medicamento preventivo, não uma vacina, e é considerado um dos avanços mais promissores na prevenção do VIH nos últimos anos", sublinharam as autoridades sul-africanas.

Desenvolvido pela farmacêutica americana Gilead Sciences, é o primeiro antirretroviral injetável de longa duração aprovado para profilaxia pré-exposição (PrEP). Ao contrário da profilaxia oral diária, é administrado por injeção subcutânea de seis em seis meses e atua em três fases do ciclo viral.

A 14 de julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso do lenacapavir e classificou a decisão como "histórica", considerando que este medicamento poderia redefinir a resposta global à epidemia, oferecendo uma alternativa à PrEP oral convencional.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre VIH/Sida (ONUSIDA) alertou em julho passado que, se os cortes na ajuda externa, particularmente para a prevenção e tratamento da SIDA, implementados pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, após o seu regresso à Casa Branca em janeiro de 2025, se mantiverem, poderá haver seis milhões de novas infeções por VIH e quatro milhões de mortes adicionais relacionadas com a SIDA até 2030.

Cerca de 40,8 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com VIH, das quais 21,1 milhões — mais de metade do total — estão na África Subsaariana, a região mais afetada a nível global.

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