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Cabo Verde nega surtos gastrointestinais após notícias sobre morte de turista britânico

Lusa
01-04-2026 15:11h

O Governo cabo-verdiano reiterou hoje que o país não regista surtos de doenças gastrointestinais, após notícias inicialmente divulgadas em órgãos de comunicação do Reino Unido sobre a morte de mais um turista britânico, alegadamente associada a essas infeções.

"Na sequência de informações partilhadas por revistas ou jornais internacionais sobre casos de infeções gastrointestinais reportados em viajantes europeus após estadias em destinos turísticos, Cabo Verde tem acompanhado a situação com total seriedade, através de um sistema de vigilância epidemiológica ativo e em estreita articulação com as autoridades de saúde e operadores turísticos", lê-se num comunicado.

Segundo o Governo, não há evidência de surtos nas ilhas do Sal e da Boa Vista, mantendo-se os casos dentro dos níveis esperados para esta altura do ano e com caráter esporádico.

As autoridades indicam ainda que os dados disponíveis não revelam alterações anormais da situação epidemiológica no país.

Em 20 de março, o administrador do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Hélio Rocha, avançou que foi detetada a bactéria Shigella em amostras de água de rega de produtos frescos fornecidos a hotéis, nas ilhas do Sal e da Boa Vista.

A investigação "identificou a Shigella Sonnei nas amostras, espécie que tem maior predomínio na região europeia, levantando-se a hipótese de uma introdução dessa espécie em Cabo Verde", detalhou. 

Os resultados surgiram depois de o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla europeia) ter emitido, na altura, recomendações para viajantes devido a um "risco moderado" de infeções gastrointestinais em Santa Maria, ilha do Sal.

O aviso foi feito por continuarem "a ser reportados casos" e "a origem da infeção" ainda não ter sido identificada, apontou o ECDC, indicando que, desde setembro de 2022, "foram detetados mais de 1.000 casos confirmados e prováveis" de infeções gastrointestinais com origem em Cabo Verde.

No comunicado de hoje, o executivo afirmou que foram reforçadas medidas de prevenção e controlo, incluindo inspeções sanitárias, monitorização da qualidade alimentar e ações de sensibilização junto dos operadores turísticos.

As notícias divulgadas na segunda-feira dão conta da morte de um turista britânico após uma semana de férias na ilha do Sal, alegadamente devido a problemas gastrointestinais, elevando para sete o número de casos reportados desde 2023.

Em fevereiro, o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, já tinha afirmado não existirem evidências epidemiológicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde.

Também o ministro do Turismo e Transportes, José Luís Sá Nogueira, tinha afastado a existência de surtos, desvalorizando relatos publicados no Reino Unido sobre infeções entre turistas.

O turismo é o principal motor da economia cabo-verdiana, concentrado sobretudo nas ilhas do Sal e da Boa Vista.

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